O presidente russo, Vladimir Putin, cancelou, neste domingo, uma visita de trabalho ao Uzbequistão e à Malásia por causa do duplo atentado suicida perpetrado ontem em Moscou, que matou pelo menos 15 pessoas e feriu outras 60. Segundo dados oficiais, entre 15 e 18 pessoas, incluídas as duas terroristas, morreram no atentado atribuído a extremistas chechenos e que foi perpetrado em pleno dia durante um festival de rock. No momento do ataque, cerca de 20.000 pessoas assistiam ao show. Das 60 pessoas que ficaram feridas, neste domingo permaneciam hospitalizadas 38, nove delas em estado grave e dois em coma. O atentado comoveu os russos e, enquanto chegavam mensagens de condolências de todas as partes do mundo ao Kremlin, Putin optou por cancelar suas visitas a Tashkent e Kuala Lumpur, esta última para promover a compra de armas russas pela Malásia. - Em vista das trágicas conseqüências do atentado terrorista em Moscou, que matou cidadãos russos, o presidente decidiu cancelar as visitas ao estrangeiro que tinha previstas - informou o Kremlin. As autoridades aumentaram as medidas de segurança em Moscou, com o aquartelamento das tropas do Ministério do Interior, patrulhas em lugares públicos movimentados e controles nas estradas, mas decidiram não suspender atos que envolvessem multidões como um festival da cerveja no estádio Luzhnikí, ao que assistiram milhares de pessoas. A ala moderada da guerrilha separatista chechena negou sua participação no atentado, que os militares russos atribuíram aos setores mais radicais dos rebeldes e, concretamente, a um batalhão de mulheres suicidas chamado Viúvas Negras. Os atentados ocorreram ao meio-dia de sábado, no aeroporto de Túshino, noroeste de Moscou, durante o festival de rock Krilia (Asas). As ações terroristas ocorreram em dois acessos do aeroporto, com uma diferença de quinze minutos. Ao redor das duas mulheres kamikazes havia mais de duzentas pessoas esperando para entrar no complexo. As mulheres detonaram suas cargas explosivas quando entenderam que seriam detidas pelos policiais que vigiavam as entradas com cachorros treinados para detectar bombas. Além dos explosivos, equivalentes cada um a meio quilo de trinitrotolueno, as terroristas levavam numerosos elementos metálicos em torno de seus corpos que se converteram em metralha ao detonar as bombas. Especialistas em segurança disseram que o explosivo dos cinturões levados pelas mulheres é similar ao utilizado em outros atentados chechenos, incluindo o ataque ao teatro Dubrovka de Moscou, em outubro passado, por um comando suicida. Uma das terroristas levava um passaporte com o nome de Zuleján Alijadyíeva, de vinte anos e residente em Kurchaloi, Chechênia. Parece estranho que ela levasse documentação, já que é de domínio público na Chechênia que as tropas russas e a polícia chechena leal a Moscou costumam vingar tais atentados assassinando os familiares dos terroristas suicidas. Estes atos ocorreram no dia seguinte ao anúncio de Putin de convocação de eleições presidenciais na Chechênia, no próximo dia 5 de outubro, para legitimar as autoridades locais impostas pelo Kremlin. Salambek Maígov, porta-voz do presidente checheno deslegitimado por Moscou, Aslán Maskhádov, declarou que este não está relacionado, de forma alguma, com os atentados e sempre rejeitou os métodos terroristas. - A direção da Chechênia não está vinculada a estes atentados, que só prejudicam nossa causa, a luta pela independência - acrescentou desde o Reino Unido outro representante de Maskhádov, Ahmed Zakáyev, cuja extradição Moscou exige a Londres. Segundo Zakáyev, tanto as suicidas como as pessoas mortas por elas ou feridas são todas vítimas da guerra que continua na Chechênia. Tanto Zakáyev como as autoridades russas acreditam que o cérebro do atentado é o influente comandante guerrilheiro radical Shamil Basáyev, o "terrorista número um" da Rússia, que tinha ameaçado enviar às cidades r
Putin cancela viagem devido ao atentado suicida em Moscou
O presidente russo, Vladimir Putin, cancelou, neste domingo, uma visita de trabalho ao Uzbequistão e à Malásia por causa do duplo atentado suicida perpetrado ontem em Moscou, que matou pelo menos 15 pessoas e feriu outras 60. (Leia Mais)
Domingo, 06 de Julho de 2003 às 13:55, por: CdB