Rio de Janeiro, 20 de Janeiro de 2026

Putin ameaça tirar Rússia do tratado antiarmas europeu

Quinta, 26 de Abril de 2007 às 16:12, por: CdB

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, ameaçou nesta quinta-feira retirar o país do Tratado de Armas Convencionais em vigor na Europa, acusando países da Otan (Aliança militar do Ocidente) de ignorar os termos do acordo.

- A coisa certa, para nós, seria impor uma moratória ao tratado até que todos os países da Otan o ratifiquem e comecem a acatá-lo, como a Rússia faz neste momento -, disse Putin, em seu discurso anual no Parlamento russo.

O presidente da Rússia vinculou sua ameaça diretamente ao plano americano de construir um sistema de defesa antimísseis na Polônia e na República Checa, países que faziam parte da Cortina de Ferro nos tempos soviéticos.

- Isso nos dá uma razão genuína para afirmar que, neste caso, os nossos parceiros estão se comportando de forma inapropriada, para dizer o mínimo -, disse o presidente.

O acordo ao qual o presidente russo se refere é o tratado sobre forças convencionais assinado entre a Otan e o Pacto de Varsóvia - a aliança militar da chamada Cortina de Ferro, durante a Guerra Fria - em 1990, antes do fim da União Soviética. O tratado impõe limites à presença de forças militares na Europa.

O tratado passou por uma reforma em 1999, depois do fim do Pacto de Varsóvia, mas países da Otan, entre eles muitos antigos integrantes do pacto, ainda não o ratificaram - exigindo, em troca disso, que a Rússia retire tropas que mantém na Geórgia e na Moldávia.

Os Estados Unidos alegam que seus planos nos dois países do Leste Europeu não representam uma ameaça à segurança global.

Para a secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, os comentários de Putin foram "ridículos". Ela disse estar disposta a passar o tempo que for necessário para explicar aos russos o que os Estados Unidos pretendem com a instalação do sistema antimísseis.

- Os russos têm milhares de ogivas. A idéia de que, de alguma forma, se possa parar o arsenal nuclear dissuasivo russo com alguns interceptadores (que devem ser instalados na Europa Oriental) não faz sentido -, disse.

Por sua vez, o secretário-geral da Otan, Jaap de Hoop Scheffer, disse que vai pedir à Rússia mais explicações sobre a posição do país.

Muitos avaliam que essas relações estão no pior momento desde o final da guerra fria, e a mensagem de Putin pode piorar isso.

Para Putin, o tratado de armas convencionais seria "compreensível" se o Pacto de Varsóvia continuasse a existir, mas hoje ele apenas restringe o envio de tropas russas a locais que o país julga necessários.

Tags:
Edições digital e impressa