Nesta quarta-feira, pode acontecer a primeira acareação da Comissão Parlamentar de Inquérito que investiga denúncias de corrupção nos Correios. O relator Osmar Serraglio (PMDB-PR) admitiu a possibilidade de uma acareação entre o publicitário Marcos Valério, apontado pelo deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ) de ser o operador de pagamentos de mesadas a parlamentares, e sua ex-secretária Karina Fernanda Sommaggio.
- Legalmente é possível. Se houver um desencontro no depoimento dos dois, pode haver acareação - afirmou o relator.
Segundo ele, para que haja a acareação não é necessária a votação de um requerimento, bastando para isso um consenso do plenário. Mesmo assim, o deputado Ônix Lorenzoni (PFL-RS) se antecipou e solicitou na noite de terça-feira ao relator que coloque em votação o requerimento 176, que trata da acareação. O presidente da CPI, senador Delcidio Amaral (PT-MS), disse que o requerimento que prevê essa possibilidade será debatido na reunião desta quinta, juntamente com outros pedidos.
A ministra Ellen Gracie, presidente em exercício do Supremo Tribunal Federal concedeu habeas-corpus preventivo ao publicitário, que não poderá ser preso durante o depoimento, mesmo que se recuse a responder algumas perguntas feitas durantes a comissão.
O relator da CPI dos Correios avaliou como um "divisor de águas" a criação da CPI para investigar o suposto pagamento de mesadas a parlamentares e a suposta compra de votos da emenda da reeleição em 1997. Para ele, a nova comissão estabelece os limites de investigação da própria CPMI dos Correios.
- Temos um divisor de águas bem definido. Tudo que diz respeito à possibilidade de fraudes nos Correios até o momento em que os recursos ingressem na empresa, a investigação é de responsabilidade da CPMI. Já no que se refere à utilização desses recursos, cabe à investigação da CPMI da compra de votos - explicou.
O relator também afirmou que não existe motivo que justifique o depoimento de um presidente de partido na CPI dos Correios:
- Porque convocar (qualquer presidente de partido), e aí eu não vou citar nomes, se não há nada que justifique com relação às denúncias de corrupção nos Correios.