Rio de Janeiro, 11 de Maio de 2026

PT sofre esvaziamento devido à crise política

Domingo, 04 de Setembro de 2005 às 13:08, por: CdB

Foi um fim de semana melancólico para os petistas. Começando pelo encontro dos presidenciáveis do partido na sexta-feira à noite. Considerando que São Paulo é o maior colégio eleitoral do PT, o debate do Processo de Eleições Diretas (PED) na quadra dos bancários, reduto do candidato do Campo Majoritário, Ricardo Berzoini, ex-presidente da poderosa Confederação Nacional dos Bancários, apresentou uma estranha semelhança com um queijo suíço, com grandes espaços vazios tanto entre a parca audiência quanto na fala dos oradores.

Recém-chegado no Brasil, o peruano Javier assistiu atentamente aos discursos do começo ao fim, e ao final comentou confuso: "não entendi direito as posições dos candidatos. Parece que uma hora eles atacam o governo, outra vez defendem; parece que ninguém fala de verdade o que pensa. Faltou coerência para a maioria deles. O que mais manteve uma linha do começo ao fim foi o que está sentado no meio", comentou, apontando para Plínio de Arruda Sampaio.

O que talvez tenha impressionado o jovem peruano foi a maneira direta como Plínio se dirigiu a Berzoni e a amarga ironia com que iniciou sua fala. Referindo-se à pouca presença de militantes e parlamentares no local, Plínio afirmou que "a plenária e o entusiasmo da platéia são um retrato da situação do PT". E foi direto: "a culpa desta crise está aqui nesta mesa, representada pelo candidato (do Campo Majoritário Ricardo) Berzoini".

De outra forma, Plínio também foi cobrado pela posição de seus apoiadores que vêm acariciando a idéia de uma saída massiva do partido em caso de uma nova vitória do Campo Majoritário. Informação que Javier não tinha. Plinio reagiu: "na minha vida tive dois partidos. De um saí porque fui cassado, e o outro é o PT. Não mudo de partido como mudo de camisa", afirmou, sem, no entanto, dar garantias sobre os rumos que tomará pós-processo eleitoral.

No mais, o debate não trouxe novidades nem contrapôs concretamente as propostas dos candidatos. Repetiu-se entre as esquerdas as costumeiras cobranças por apuração e punição, mudanças na política econômica e autonomia frente ao governo, além das duras críticas à política de alianças. Na essência, ficou no ar o gosto amargo do questionamento do ex-prefeito de Porto Alegre, Raul Pont: o quanto o PT se tornou um partido como os outros, corrupto, que quebra parâmetros legais, que negocia com o grande empresariado?

Berzoini, o mais criticado, assumiu os erros de sua corrente, mas apontou para um endurecimento da "luta de classes", em que os partidos conservadores estariam se aproveitando do momento para fazer prosetlitismo ético com ajuda da imprensa, que acusou de amplificar as fragilidades do governo. Apesar de ser dizer crítico a alguns aspectos da política econômica, contemporizou dizendo que o governo não tem maioria no Congresso e que seria "preciso dialogar com a realidade".

- A política dura, restritiva, foi capaz de fazer o Brasil crescer - afirmou.

O atual terceiro vice-presidente do PT, Valter Pomar, apesar de afirmar veementemente que "para o bem do PT, o Campo Majoritário tem que ser derrotado", foi ambíguo em relação a Berzoini. Lembrando o recente bate-boca que teria tido com o deputado Paulo Bernardo, que não teria gostado de críticas à política econômica, Pomar apresentou seu concorrente como não tendo "coração duro" frente ao clamor da base petista.

Entre a platéia, o comentário de Pomar foi interpretado com um gesto de carinho velado que reforçaria a paulatina aproximação de sua chapa com o Campo Majoritário, em vista de uma possível aliança no segundo turno que já teria começado a se desenhar com o apoio dos aliados da ex-prefeita Marta Suplicy, ligada ao Campo, a sua candidatura.

Nada mudou

Enquanto isso, o Campo Majoritário, em reunião nesta mesma sexta, decidiu pela manutenção em sua chapa dos componentes envolvidos no escândalo do mensalão. A saída, principalmente do ex-ministro José Dir

Tags:
Edições digital e impressa