Rio de Janeiro, 08 de Setembro de 2026

PT se reúne para definir posição sobre CPI

PT se reúne para definir posição sobre CPI

Domingo, 15 de Fevereiro de 2004 às 14:16, por: CdB

A bancada do PT no Senado Federal reúne-se nesta segunda-feira para definir sua posição sobre o requerimento da oposição de abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar a denúncia de corrupção contra o ex-subchefe de Assuntos Parlamentares do Ministério da Articulação Política, Waldomiro Diniz.

A reunião servirá para o PT fechar questão sobre o assunto. Alguns senadores do partido, como o ex-líder Tião Viana (AC) e Eduardo Suplicy (SP), são favoráveis à instalação da CPI. Outros, a exemplo da atual líder, Ideli Salvatti (SC), são cautelosos quanto à proposta. Um terceiro grupo, liderado pelo deputado Professor Luisinho (SP), é totalmente contrário.

Na última sexta-feira, ainda sob o impacto da denúncia e dos discursos da oposição nos plenários do Senado e da Câmara, Ideli Salvatti disse que somente tomaria uma posição sobre apoiar ou não uma CPI após ouvir toda a bancada no Senado e consultar seus companheiros na Câmara.

A indecisão sobre o apoio ou não a uma CPI também atinge outro partido da base aliada do governo, o PMDB. O líder no Senado, Renan Calheiros (AL), pediu cautela aos seus liderados para esperar uma reunião da bancada esta semana, antes de assinar o requerimento de instalação da comissão.

A posição de Calheiros, porém, não conseguiu conter o senador Mão Santa (PMDB-PI), um dos primeiros a assinar o requerimento da CPI, apresentado pelo senador Antero Paes de Barros (PSDB-MT).

Paes de Barros, que atualmente preside a CPI mista que investiga irregularidades ocorridas no Banestado, espera conseguir as 27 assinaturas mínimas para a instalação da comissão até quarta-feira.

Até agora, segundo suas próprias informações, ele só conseguiu cinco assinaturas. Além da instalação da CPI, o senador quer o afastamento temporário do cargo do ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu, até que sejam concluídas as investigações da CPI e da Polícia Federal.

Waldomiro Diniz ocupava ultimamente a subchefia parlamentar do Ministério da Articulação Política e foi exonerado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva após a denúncia. Ele é acusado, em reportagem publicada pela revista Epoca, de negociar dinheiro para campanhas eleitorais - além de propina para si mesmo - com o bicheiro Carlos Augusto Ramos, do Rio de Janeiro.

A edição desta semana da revista traz a transcrição de um vídeo no qual o ex-assessor aparece acertando o esquema de suborno com o bicheiro, em 2002, quando ele presidia a Loteria do Estado do Rio de Janeiro (Loterj). A fita foi repassada ao Ministério Público pelo senador Antero Paes de Barros (PSBD -MT) antes da publicação da reportagem.

Por determinação do ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, a Polícia Federal abriu inquérito, que correrá no Rio. As investigações serão comandadas pelo delegado Antônio César Fernandes Nunes, que atua na Superintendência da PF naquele Estado.

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