Rio de Janeiro, 13 de Agosto de 2026

PT reage ao possível pedido de extinção feito por Gilmar Mendes

Se for aprovado o pedido, o partido que venceu as duas últimas eleições presidenciais poderá ser proscrito, como ocorreu durante a ditadura militar, após a edição do Ato Institucional nº 2.

Segunda, 08 de Agosto de 2016 às 07:46, por: CdB

Se for aprovado o pedido, o partido que venceu as duas últimas eleições presidenciais poderá ser proscrito, como ocorreu durante a ditadura militar, após a edição do Ato Institucional nº 2

 
Por Redação - de Brasília e São Paulo
  Diante do possível pedido de extinção do Partido dos Trabalhadores, conforme a intenção do presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Gilmar Mendes, formulada em declaração a um diário conservador carioca, há 72 horas, a legenda reagiu com uma nota, dois dias depois, na qual atribui ao magistrado uma “atitude autoritária” que somente encontraria eco em um regime regime ditatorial.
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Presidente do TSE, Gilmar Mendes entrou com pedido de extinção do PT
Mendes, no pedido de cassação do registro partidário, acusa a legenda de envolvimento no escândalo conhecido como ‘mensalão’ e, agora, na Operação Lava Jato. Se for aprovado o pedido, o partido que venceu as duas últimas eleições presidenciais poderá ser proscrito, como ocorreu durante a ditadura militar, após a edição do Ato Institucional nº 2. Diante do que poderia ser considerado um ato ditatorial, a bancada do PT na Câmara divulgou, na noite passada, nota em que repudia a intenção de Gilmar Mendes. Segundo a nota, trata-se de mais uma “ação seletiva e política” do ministro, que com a atitude “tira a toga e assume o papel de militante da direita brasileira”. Leia, adiante, a íntegra da nota:

Nota da Bancada do PT na Câmara

A Bancada do Partido dos Trabalhadores na Câmara dos Deputados repudia mais uma ação seletiva e política do ministro Gilmar Mendes, presidente do Tribunal Superior Eleitoral. Ao pedir a cassação do registro do Partido dos Trabalhadores, Mendes tira de vez a toga e assume o papel de militante da direita brasileira. Sua decisão contra o PT coincide com um momento em que se tenta cassar o mandato legítimo da presidenta Dilma Rousseff, sem que tenha cometido crime de responsabilidade, configurando-se um golpe e a instituição de um ambiente político e jurídico de exceção no País. Ao acusar o PT de ter se beneficiado de recursos desviados da Petrobras, Gilmar Mendes evidencia sua seletividade, já que outros grandes partidos – como o PSDB, PMDB, DEM e PP – também receberam recursos de empresas investigadas na Operação Lava Jato. Sobre esses partidos, cala-se, como sempre, o presidente do TSE, que enxerga problemas no sistema democrático brasileiro apenas quando se trata do PT. A atitude  autoritária do presidente do TSE só encontra paralelo no regime autoritário encerrado em 1985. A última vez em que um partido político foi cassado no Brasil foi mediante ato institucional de uma ditadura militar. São notórios o destempero verbal e a parcialidade  de Gilmar Mendes contra o PT. Ele não está à altura do cargo que ocupa. Suas ações, no âmbito da Suprema Corte, como a de juízes de primeira instância, têm maculado a imagem do Judiciário brasileiro. Ao pedir agora a cassação do registro do PT, o ministro faz jus aos que o chamam de “tucano de toga” do STF.  O nosso Judiciário precisa de magistrados, não de militantes políticos. Brasília, 7 de agosto de 2016 Afonso Florence (BA), líder do PT na Câmara
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