Um dos principais envolvidos no escândalo do Dossiê Serra, que reúne informações comprometedoras contra políticos tucanos, e ex-analista de risco e mídia de campanha do presidente Lula, Jorge Lorenzetti pediu seu afastamento do Partido dos Trabalhadores, ao antecipar o julgamento na reunião da Executiva Nacional do partido, prevista para esta sexta-feira, do qual poderia sair expulso da legenda. A informação foi confirmada pelo secretário nacional de relações internacionais do PT, Valter Pomar.
Churrasqueiro predileto do presidente Lula, Lorenzetti foi flagrado como um dos operadores da compra do dossiê e pediu a desfilação no Tribunal Regional Eleitoral (TRE) de Santa Catarina. Ele teve a prisão preventiva decretada, mas está em liberdade graças a um habeas corpus. A saída de Lorenzetti é apenas uma das várias alterações que deverão ocorrer na legenda, nos próximos dias. A direção do PT deverá promover uma série de reformas entre seus filiados e vários deles tendem a se desligar da agremiação. O objetivo, segundo fonte do partido, é buscar a "purificação do partido". Em reunião extraordinária da Executiva Nacional do PT, na capital paulista, dirigentes petistas proporão o afastamento do deputado Ricardo Berzoini (SP) da presidência do partido e a expulsão dos outros quatro filiados envolvidos na tentativa de compra do dossiê Vedoin.
Uma orientação direta do presidente Lula, nesta sexta-feira, à coordenação de sua campanha, foi que se encontrasse uma "solução definitiva" para o escândalo no PT antes do debate marcado para este domingo com o candidato do PSDB, Geraldo Alckmin, na TV Bandeirantes. A idéia é eliminar este foco de risco para a imagem do presidente, que quer o discurso de que o PT tomou providências.
Crise na direção
Presidente da legenda, Ricardo Berzoini ainda resiste em deixar o comando do PT nas mãos de Marco Aurélio Garcia, primeiro-vice-presidente, embora Lula tenha-lhe pedido que deixasse o cargo. Sua tendência, Unidade na Luta, estava dividida e desnorteada. Mas alguns de seus amigos prometiam conversar com ele na manhã de hoje, horas antes da reunião, pedindo que se antecipasse e tomasse a iniciativa do afastamento.
- Berzoini resistiu à idéia de convocar a Executiva, mas isso não era uma opção - disse a fonte.
Na mesma manhã em que o PT se reuniu para decidir as punições dos envolvidos no escândalo do dossiê, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva amenizou a pressão sobre o "companheiro Berzoini" e voltou a pedir que o partido tivesse "maturidade" e cautela. Lula também falou que que o afastamento do presidente do partido, sem a conclusão das investigações, não ajuda em nada neste momento.
- Sou presidente da República e não posso ter interferência na decisão do PT. Não vejo necessidade de tomar nenhuma posição política enquanto não desvendar esse processo. De qualquer forma, a direção vai se reunir, mas não vejo isso ajudar em nada agora - disse Lula nesta sexta-feira em entrevista ao vivo a um pool de rádios de Pernambuco, Ceará e Bahia.
Lula afirmou que o deputado Berzoini é "quadro" no partido, foi ex-ministro de seu governo e comandou sua campanha, da qual foi afastado após as denúncias. Em função do dossiê, Berzoini foi destituído do comando da campanha do presidente Lula, que indicou Marco Aurélio Garcia, ex-assessor da Presidência, para o posto. O caso também fragilizou o deputado no comando do partido e ele deve dar explicações à Executiva sobre sua participação no episódio.
- Aprendi na minha vida a não tomar atitude precipitada. Não tem nada pior na vida do que condenar um inocente - afirmou o presidente, pedindo cautela na decisão.
Os petistas envolvidos na operação, como Valdebran Padilha, Gedimar Passos, Osvaldo Bargas, Jorge Lorenzetti, Expedito Veloso e Hamilton Lacerda --ex-assessor da campanha do senador Aloizio Mercadante (PT-SP) ao governo de São Paulo--, podem ser expulsos.
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