O vice-líder do Governo, Beto Albuquerque (PSB-RS), ressaltou que a ausência do Partido dos Trabalhadores na Mesa Diretora é um fato inédito na democracia moderna. O maior partido da Casa, com 91 deputados, não terá assento entre os parlamentares que conduzirão os trabalhos legislativos e a gestão administrativa da Câmara.
- Isso só aconteceu no Brasil - afirmou. Ele atribuiu o fato inédito ao que chamou de "ranço autoritário revanchista que compromete a imagem do Parlamento".
Nos acordos durante a campanha, o PT acabou abrindo mão de disputar outros cargos na Mesa aos quais tinha direito, pelo critério da proporcionalidade, para viabilizar um acordo para a eleição de Luiz Eduardo Greenhalgh (PT-SP), candidato oficial do partido. O excesso de otimismo quanto à possível candidatura de Greenhalgh fez o partido ser vítima da maior derrota do governo até hoje.
Beto Albuquerque acredita que o resultado deve fazer o Governo rever sua relação com o Legislativo e prevê problemas para as prioridades do Governo na Câmara a partir de agora. Segundo ele, o PP, partido de Severino Cavalcanti, optou pela presidência da Câmara e, portanto, não tem mais argumentos para reivindicar um Ministério no Governo. O vice-líder também lembrou que o desrespeito ao critério da proporcionalidade partidária na eleição da Mesa pode complicar a composição das comissões temáticas.
Treze horas de eleição
O corpo-a-corpo, iniciado horas antes do início da votação para a sucessão da Mesa Diretora da Câmara, começou cedo e fora dos limites do Congresso Nacional. Ainda na manhã de segunda-feira, cabos eleitorais dos cinco candidatos à presidência da Casa disputavam a atenção dos deputados que chegavam à Brasília. No Parlamento, a movimentação não foi diferente.
Entre deputados, servidores e cabos eleitorais, cerca de 19 mil pessoas transitaram pelos corredores da Câmara, segundo levantamento feito pelo Departamento de Polícia Legislativa.
Enquanto nas demais dependências da Casa banners e faixas disputavam espaço com as pessoas, no Plenário os parlamentares negociavam em busca dos últimos votos.
Dos 513 deputados que compõem a atual Legislatura, 510 registraram presença para votar e, apesar dos discursos inflamados dos cinco candidatos, o clima foi de tranqüilidade durante as cerca de 13 horas que durou o pleito, inicialmente previsto para terminar por volta das 22 horas de ontem. Mesmo durante o segundo turno, com a disputa entre os deputados Severino Cavalcanti (PP-PE) e Luiz Eduardo Greenhalgh (PT-SP), prevaleceu a tranqüilidade. Segundo o Departamento de Polícia Legislativa, nenhum incidente foi registrado durante todo o dia.