A senadora Heloisa Helena (AL) e os deputados Luciana Genro (RS), João Fontes (SE) e João Batista Araújo, o Babá (PA), os chamados radicais, foram expulsos do PT pelo Diretório Nacional do partido. A decisão foi tomada pela Comissão de Ética e Disciplina com base no estatuto do partido.
A expulsão dos parlamentares foi decidida depois de mais de três horas de debates, em que eles tiveram oportunidade de se defender da posição da Comissão de Ética e Disciplina do partido, cada um falando cerca de quinze minutos. Depois deles, falaram seis a favor da expulsão e seis contra, antes da votação.
Mesmo não fazendo parte do Diretório Nacional do PT, o senador Eduardo Suplicy (SP) pôde votar porque o suplente Zezel Ribeiro (BA) cedeu seu lugar ao senador. Suplicy, quando falou em favor dos três parlamentares e contra a expulsão, chegou a levantar a proposta de que os três deveriam ter suas filiações suspensas pelo prazo de um ano, mas desistiu de sua proposta, quando sentiu que ela não teria apoio.
Os desentendimentos da ala radical do PT com a cúpula do partido começaram antes mesmo da posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. As alianças formadas durante a campanha presidencial criaram descontentamentos com os radicais. Um dos maiores desgastes começou com a coligação com o PL, que fez do empresário mineiro José Alencar o vice da chapa.
A senadora Heloísa Helena , que sairia candidata ao governo do seu Estado, desistiu das eleições estaduais por não aceitar a política de alianças adotada pelo PT, o que chamou de "deplorável" e "uma adesão estúpida à lógica do pragmatismo eleitoral". Ela também criticou a escolha do ex-presidente do Bank Boston Henrique Meirelles para a presidência do Banco Central por sua "ligação com o sistema financeiro internacional".
O embate dos radicais chegou ao extremo com a votação das reformas da Previdência e tributária. Declaradamente contrários às propostas do governo, os deputados João Fontes (SE), João Batista Araújo, o Babá (PA), e Luciana Genro (RS), votaram contra as reformas nos dois turnos da Câmara. Heloísa Helena também votou "não" no primeiro turno no Senado.