O líder do governo no Senado,Aloizio Mercadante (PT-SP), disse que foi desmascarada uma estratégia contra o governo. Em uma conversa gravada por Carlinhos Cachoeira, o subprocurador José Roberto Santoro pressionou o dono de casas de jogos a entregar a fita em que o ex-assessor do Palácio do Planalto Waldomiro Diniz pede propina.
O subprocurador se mostrou preocupado com a possibilidade de o superior dele, o procurador-geral da República Cláudio Fonteles, surpreender o encontro durante a madrugada.
"Daqui a pouco, o procurador-geral chega, às 6h. Ele vai ver o carro, vai vir aqui na minha sala. Ele é meu amigo, ele vai vir aqui e vai me ver tomando um depoimento para, desculpe a expressão, para ferrar o chefe da Casa Civil da presidência da República, o homem mais poderoso do governo, ou seja, para derrubar o governo Lula", diz José Roberto Santoro na gravação.
"Aqueles que queriam utilizar o caso Waldomiro para derrubar o governo, para derrubar o ministro-chefe da Casa Civil, não vão ter eficácia. Essa fita só fortalece os argumentos que nós tínhamos: que a articulação política não era para esclarecer e punir", alertou Mercadante.
Em nota, o PSDB chamou de ridícula a declaração do ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, que classificou de "conspiração" a atitude do subprocurador Santoro. E diz que o governo procura intimidar o Ministério Público, desorganizar a Polícia Federal e turvar a atmosfera de tranqüilidade institucional.
"Eu falei em conspiração das pessoas que estavam ali. Eram pessoas que estavam reunidas em torno de uma fita que acusava o Waldomiro e, entretanto, todo o discurso que se fazia naquela reunião em volta disso era para atingir o governo Lula e derrubar o ministro José Dirceu", justificou Márcio Thomaz Bastos.
"O governo querer transformar o Santoro em bandido e o Waldomiro Diniz em embaixador brasileiro na Santa Sé", ironizou o senador Antero Paes de Barros, do PSDB.
O governo respondeu às críticas, dizendo que as investigações do caso Waldomiro vão continuar e explica que o inquérito na Polícia Federal só foi suspenso porque o Ministério Público já apresentou denúncia à Justiça.