Nota sobre o convite do presidente Fernando Henrique Cardoso "1. No último final de semana, o ministro-chefe da Casa Civil, Pedro Parente, telefonou-me e transmitiu um convite do Presidente da República, Fernando Henrique Cardoso, ao nosso candidato, Luiz Inácio Lula da Silva, para um encontro com vistas a discutir, conforme diz a nota do ministro, os recentes entendimentos entre o Brasil, o Banco Mundial, o Banco Interamericano de Desenvolvimento e o FMI. "2. Reiteramos a nossa disposição de conversar com o presidente, como já afirmamos na "Carta ao Povo Brasileiro". A data do encontro será marcada de acordo com a mútua conveniência das agendas do Presidente da República e do nosso candidato. "3. Sabemos que a crise financeira é grave e estamos dispostos a fazer o que estiver a nosso alcance para, com a responsabilidade que nos cabe no processo político do país, ajudar a resolvê-la. Mas não contem conosco para um jogo de cena que oculte ao povo brasileiro a necessidade de mudanças fundamentais no rumo do Brasil. A crise atual decorre dos graves erros da política econômica adotada pelo governo e é indispensável uma nova política econômica para sair da vulnerabilidade em que nos encontramos. "4. É em função dessa vulnerabilidade que assistimos a um novo ataque especulativo que, apesar do anunciado acordo com o FMI, põe em risco as nossas reservas. Além disso, o não restabelecimento, pelos bancos internacionais, das linhas de financiamento e crédito comercial às empresas brasileiras ameaça o funcionamento da economia real e coloca em perigo milhares de empregos. "5. Conforme já expressamos em nota divulgada no último dia 8 de agosto, encaramos o referido acordo com o FMI como inevitável, tendo em vista a situação de insolvência a que o governo conduziu o país. No entanto, o país não pode ser posto contra a parede por aqueles que desejam impedir o povo brasileiro de tomar decisões soberanas a respeito do seu futuro. Os eleitores brasileiros têm o direito inalienável de escolher o caminho que lhes pareça mais conveniente. Eleitos, mudaremos a política econômica na direção do crescimento sustentável e da justiça social. "6. A crise que se reacendeu nos últimos dias reforça a necessidade de mudar o rumo da política econômica, para voltar a crescer, ampliar as exportações, defender a nossa economia e proteger as nossas reservas. Como advertimos em 8 de agosto, "é inaceitável que as nossas reservas sejam gastas com especuladores e o Brasil seja deixado em uma situação ainda mais vulnerável do que já está". Agora mais do que nunca, proteger as nossas reservas significa defender a independência do Brasil. "7. Torna-se necessário, também, acelerar a minireforma tributária para desonerar as exportações, reativar o Proex, criar linhas de crédito especiais para as empresas com dívidas em dólar e defender a economia popular, ameaçada por injustificáveis aumentos de preços. "8. Acreditamos no presente e no futuro do Brasil. Se forem tomadas as medidas que a situação exige, o país não vai quebrar e tem todas as condições de sair da crise e entrar em um caminho de prosperidade e inclusão social. Mas para isso, é preciso pensar no Brasil em primeiro lugar. Não vamos abdicar da nossa soberania para atender aos interesses daqueles poucos que pretendem fazer do país um cassino. É com esse estado de espírito, pensando nos interesse maiores do povo brasileiro, que aceitamos o convite para dialogar com o sr. Presidente da República. "São Paulo, 13 de agosto de 2002 "José Dirceu "Presidente nacional do PT e coordenador-geral da campanha Lula 2002"
PT divulga nota sobre acordo com FMI
Candidato à Presidência pela coligação PT-PCdoB-PL-PMN-PCB, Luiz Inácio Lula da Silva reúne-se na próxima segunda, às 13h, com o presidente Fernando Henrique Cardoso para discutir o acordo de US$ 30 bilhões do Brasil com o FMI (Fundo Monetário Internacional). (Leia a íntegra da nota)
Terça, 13 de Agosto de 2002 às 15:54, por: CdB