Candidato avulso, insistência na emenda da reeleição dos presidente do Congresso, relação tensa entre o Executivo e base aliada, antecipação dos debates eleitorais de 2006 e até traição. Essa é a lista dos motivos, desenhada por políticos do próprio PT para a derrota histórica do deputado Luiz Eduardo Greenhalgh (PT-SP) para Severino Cavalcanti (PP-PE) à presidência da Câmara.
"A base aliada garantia que teríamos maioria e não tivemos. Nós entendemos o recado: precisamos tratar os aliados com carinho e atenção especiais e trabalhar para recompor a base", afirmou nesta terça-feira o líder do governo na Câmara, deputado Professor Luizinho (PT-SP).
O presidente nacional do PT, José Genoino, concordou que é preciso melhorar o relacionamento do partido e de sua bancada com os partidos da base aliada e demais partidos. Segundo ele, o resultado da votação foi uma manobra da oposição, que fez alianças com setores descontentes da base aliada, para derrotar o PT.
"A derrota é maior para o PT que para o governo, uma vez que a maior bancada da Câmara está fora da Mesa", disse ele ao portal do PT.
Greenhalgh perdeu a disputa para Severino no segundo turno da eleição para a presidência da Câmara por uma diferença de mais de 100 votos, a maioria de deputados do próprio PP, PMDB, PL e PTB, segundo relatos dos próprios parlamentares, já que o voto foi secreto.
Além da traição dos governistas, os aliados também culpam a oposição ao argumentarem que os eleitores de Cavalcanti buscaram marcar posição para a eleição presidencial de 2006.
"Se fizer um mapeamento dos votos você percebe que a oposição se juntou e descarregou votos no candidato que era o meu adversário", afirmou Greenhalgh. "O meu adversário tinha dois tipos de votos: o voto oposicionista para 2006 e o voto do descontentamento da relação com o governo", resumiu.
Até o momento, apenas o PFL já tem candidato à Presidência da República, o prefeito do Rio de Janeiro, César Maia. Porém uma ala do PMDB, que busca distância do Palácio do Planalto, defende o lançamento de um nome próprio para concorrer com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva contrariando os governistas que buscam uma composição com o PT.
Com o quadro desfavorável e os próximos dois anos fundamentais para a reeleição de Lula, os petistas buscaram minimizar os efeitos da eleição de Severino Cavalcanti afirmando que ele não trará grandes problemas para as votações. Eles admitem, no entanto, as negociações na Câmara passarão a ser feitas no varejo, ou seja, no chamado "toma lá, dá cá".
O deputado Paulo Bernardo (PT-PR), um dos articuladores da campanha de Greenhalgh, reconheceu que o PT não "adotou o melhor método" de escolha de seu candidato, mas não acredita que a agenda do governo corra algum risco de não ser cumprida por causa da derrota na Câmara. A não ser em questões mais polêmicas, como aborto.
"Salvo algumas posições fundamentalistas (de Severino), não haverá problemas. Ele é um político maleável," afirmou o deputado.
Parlamentares ouvidos pela Reuters avaliaram que duas questões pesaram para a dificuldade da candidatura oficial do PT: a insistência do ex-presidente da Câmara, João Paulo Cunha (PT-SP) em reapresentar à emenda que permitia a reeleição da mesa da casa e do Senado, o que paralisou e não amadureceu o processo de escolha de seu sucessor, e a candidatura avulsa de Virgílio Guimarães (PT-MG).
"O Virgílio foi um fator de instabilidade muito grande e o PT não soube conter a candidatura dele", disse um parlamentar da cúpula petista que pediu para não ser identificado.
O deputado mineiro retirou seu nome da disputa em favor de Greenhalgh, mas após pressão de deputados, principalmente do PL, ele voltou atrás e lançou sua candidatura dissidente. No escrutínio da madrugada de terça-feira, Virgílio obteve 117 votos e ficou em terceiro lugar.
A cúpula petista também critica a atuação das lideranças e do ministro da Coordenação Política, Aldo Rebelo, que teve um papel, segundo