Presidente do PT, o deputado Ricardo Berzoini (SP) defendeu, nesta sexta-feira, uma posição dura e intransigente do governo brasileiro com a Bolívia, que assumiu o controle das refinarias da Petrobras no país, incluindo o fluxo de caixa das empresas.
- Acredito que neste momento o governo está consciente da necessidade de ser muito duro com o governo boliviano e de demonstrar que não há qualquer transigência em relação a essa questão - disse Berzoini a jornalista após encontro com empresários pró-Lula.
Trata-se de uma reviravolta na postura do partido, que no início da crise pregava, assim como o governo, a defesa do direito da Bolívia de nacionalizar o gás e o petróleo.
- Num relacionamento diplomático é bom demonstrar disposição de diálogo e negociação. Mas, neste momento, o governo boliviano perdeu a oportunidade de fazer uma negociação mais tranquila e vai, com certeza, negociar em condições desfavoráveis - afirmou.
Berzoini não descarta que a Petrobras recorra a organismos internacionais para se defender da medida da Bolívia.
- Não há como tratar de outra maneira senão manifestando nosso repúdio e insatisfação com a postura do governo boliviano, que errou ao comprar uma briga com o país que é um grande mercado e um grande parceiro econômico - disse.
Críticas ao tucano
Ainda na entrevista, Berzoini afirmou que as críticas feitas pelo tucano Geraldo Alckmin contra a postura do governo na crise com a Bolívia representam uma procura desesperada para que sua candidatura ao Planalto não afunde.
- O candidato Geraldo Alckmin procura desesperadamente uma bóia para a sua campanha. Ele tem uma história aqui em São Paulo que não o autoriza a qualquer crítica ao presidente Lula. Até porque, sob sua gestão, ele deixou o PCC [Primeiro Comando da Capital] crescer nos presídios de São Paulo e provocou, evidentemente, uma instabilidade que preocupa toda população de São Paulo - afirmou Berzoini.
Berzoini também discordou das críticas que a oposição lançou contra a postura de Lula nos últimos meses. Em sua opinião, nas relações diplomáticas é sempre bom demonstrar disposição de diálogo e negociação, mas que isso tem que ser bilateral.
- Nesse momento, eu creio que o governo boliviano perdeu a oportunidade de fazer uma negociação mais tranqüila - afirmou.
Além de Alckmin, a candidata do PSOL, Heloísa Helena, também atacou a atitude da gestão petista sobre o assunto. Para ela, "todo esse processo que vive hoje a Petrobras, é resultado da incompetência e irresponsabilidade do governo Lula". Em tom mais brando, Cristovam Buarque (PDT) disse que o presidente demorou para tomar uma iniciativa.
Em matéria publicada nesta sexta-feira pelo jornal boliviano La Razón, o vice-presidente (e atual presidente em exercício) do país, Álvaro García Linera, disse que o governo conhece o risco de que o Brasil possa recorrer e que está pronto para enfrentá-lo.
- Não tememos a arbitragem, mas é preciso fazer todos os esforços para não chegar a ela. Se chegar o momento, e, para não ir à arbitragem, for preciso transigir sobre os princípios (da nacionalização), preferiremos a arbitrage - disse.
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