O ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares foi expulso neste sábado do Partido dos Trabalhores (PT) por 37 contra 16 votos favoráveis. Três membros do Diretório Nacional preferiram se abster.
Durante a reunião para decidir sobre sua permanência, Delúbio chorou muito e declarou que não conseguiria assinar sua desfiliação do PT, partido do qual era militante há cerca de 25 anos.
Após a oficialização da expulsão do ex-tesoureiro, tomou posse hoje a nova Executiva Nacional do PT, presidida pelo ex-ministro do Trabalho Ricardo Berzoini, que venceu as eleições internas. Berzoini, que pertence ao Campo Majoritário, grupo que dominou o PT com mão de ferro nos últimos anos, substituiu Tarso Genro, que havia assumido o cargo de forma interina em junho, quando as denúncias de corrupção derrubaram Genoino.
Delúbio, ex-professor de matemática e ex-sindicalista de 50 anos, admitiu há meses que como tesoureiro do PT operou um esquema de contabilidade paralela para o financiamento das campanhas eleitorais de 2002 e 2004, e eximiu outros dirigentes de culpa no caso.
Em declaração à CPI, Delúbio reiterou que manejava com autonomia as finanças do PT e que nem a anterior diretoria do partido e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sabiam das manobras ilegais.
Como tesoureiro do PT, Soares montou, com a cumplicidade do publicitário Marcos Valério, uma rede de arrecadação ilegal de recursos para financiar campanhas eleitorais. Valério, apontado pelas investigações da CPI como intermediário no pagamento do Mensalão a deputados e senadores para que se mantivessem fiéis ao Governo nas votações do Congresso, foi ainda avalista do PT em vários empréstimos bancários de origem duvidosa.
Segundo o PT, Delúbio conseguiu empréstimos bancários no valor de R$ 56 milhões, valor incorporado ao suposto esquema de "caixa dois", mas os deputados e senadores que investigam os escândalos no partido suspeitam que tais recursos foram desviados de empresas estatais.
As acusações de corrupção, que incluem ainda tráfico de influência, derrubaram o corpo diretivo do PT, presidido então por José Genoino, mas, com exceção de Delúbio e do ex-secretário-geral Sílvio Pereira, que deixou a legenda por vontade própria, os demais permanecem nos quadros do partido do presidente Lula.