O presidente da CPI dos Correios, senador Delcídio Amaral (PT-MS), descartou nesta sexta-feira a necessidade de o ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, comparecer à comissão para explicar a investigação da Polícia Federal sobre a lista com 156 nomes de políticos que teriam recebido recursos de caixa dois de Furnas para a campanha de 2002. A oposição ameaçava votar, nesta quinta-feira, o requerimento de convocação do ministro. Queriam dele uma declaração oficial sobre a veracidade da suposta lista.
Para isso, a oposição recrutou parlamentares que pouco comparecem às sessões da CPI. Os líderes do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM), e da Câmara, Alberto Goldman (SP), e o líder do PFL, senador José Agripino (PFL-RN), orquestraram o discurso em favor da convocação. Os governistas levaram o líder do PT na Câmara, Henrique Fontana (RS), e o líder do PMDB no Senado, Ney Suassuna (PB), na tentativa de dirimir as intenções dos oposicionistas ou barrar a votação.
Prazo mantido
O prazo de apresentação do relatório final do deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR), relator da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) dos Correios, está mantido para o período dos dias 15 a 20 de março.
- Temos um planejamento feito e muitas coisas do relatório final estão sendo elaboradas ao longo das últimas semanas - disse o presidente da comissão, senador Delcídio Amaral (PT-MS), em entrevista nesta sexta-feira, da Rádio Nacional. Na avaliação dele, é fundamental manter o prazo para que o documento possa ser votado a tempo de evitar atrasos, caso os parlamentares peçam vistas ou apresentem votos em separado.
Delcídio destacou, no entanto, que novos fatos surgiram, como a lista que contém nomes de 150 políticos que supostamente teriam recebido dinheiro do ex-diretor da estatal Furnas Centrais Elétricas, Dimas Toledo, além da existência de contas no exterior do publicitário Duda Mendonça que poderiam ter sido abastecidas pelo esquema do empresário Marcos Valério de Souza. No dia 30 de janeiro, integrantes da CPMI foram aos Estados Unidos para investigar a existência dessas contas bancárias.
Por essas razões, acrescentou o senador, foram aprovados os depoimentos de Toledo e de Duda.
- Vamos agendar, muito possivelmente, o diretor de Furnas Dimas Toledo para a próxima semana e o de Duda Mendonça, tão logo venhamos a receber o extrato das contas nos Estados Unidos - disse.
Delcídio acrescentou que informações novas que não cheguem em tempo de serem incluídas no relatório serão encaminhadas ao Ministério Público e às mesas da Câmara e Senado, no caso de envolvimento de parlamentares.
- Essa é a estratégia. Aquilo que não houver mais tempo, vamos juntar ao processo os indícios e encaminhar especialmente para o Ministério Público - disse.