O comando da campanha de Luiz Eduardo Greenhalgh (PT-SP) à presidência da Câmara dos Deputados contabiliza 253 votos a seu favor. O número pode ser suficiente para elegê-lo, mas a cúpula do PT ainda não está segura de numa vitória em primeiro turno.
"Nosso esforço é para ganhar no primeiro turno... mas não é uma vitória tranquila", afirmou a jornalistas nesta quinta-feira o líder do governo na Casa, Professor Luizinho (PT-SP) sobre a eleição marcada para 14 de fevereiro, que tem em Greenhalgh o candidato oficial do PT.
Na avaliação de petistas, porém, há chances reais de a eleição ser decidida apenas no segundo turno, mas apostam que esse quadro ainda pode ser revertido.
Para vencer no primeiro turno, o candidato tem de receber a maioria dos votos entre todos os presentes. Mas a sessão só se realiza se houver a metade dos 513 deputados, ou 257.
A conta dos 253 votos foi feita por parlamentares aliados na quarta-feira, em jantar de líderes partidários com os ministros Aldo Rebelo (Coordenação Política) e José Dirceu (Casa Civil) na residência do presidente da Câmara, João Paulo Cunha (PT-SP). Greenhalgh também participou da reunião.
Durante o encontro, cada líder fez uma estimativa de votos dentro de suas bancadas. Pelos cálculos, o PMDB asseguraria 35 votos. O PTB e PL dariam 30 votos cada um.
No PT, onde se espera uma ampla adesão, a expectativa é conseguir 80 dos 90 deputados. A oposição prometeu dar um apoio mínimo de 30 votos.
A disputa pelo posto é intensa e está polarizada entre Greenhalgh e o também petista Virgílio Guimarães (MG), que afrontou o partido ao decidir lançar sua candidatura. Além dele, outros três nomes participam da corrida como candidatos avulsos: José Carlos Aleluia (PFL-BA), Severino Cavalcanti (PP-PE) e Jair Bolsonaro (PFL-RJ).
De Aleluia, no entanto, a cúpula do PT já ouviu a promessa de que ele irá retirar sua candidatura e manifestar apoio ao nome oficial.
Desde a última sexta-feira, o governo entrou mais firme na articulação em favor de Grenhas, conversando com governadores, ministros e diretores de estatais aliados ao governo para orientar deputados. A avaliação de alguns parlamentares é de que o governo demorou, mas a ofensiva começou a dar resultados.
Um dos participantes do encontro na casa de João Paulo, que pediu para não ser identificado, disse que Greenhalgh chegou a reclamar da dificuldade que vem encontrando em arrecadar votos em Estados insatisfeitos com o governo federal.
Enquanto isso, a campanha de Greenhalgh tenta embasar sua possível vitória com dados históricos. Nunca houve, segundo dados da presidência da Câmara, um candidato avulso (como Virgílio) que tenha saído vitorioso.
Desde fim da ditadura em 1985, nenhum candidato oficial perdeu a disputa. A diferença é que, em praticamente todos os casos, o nome escolhido vencia por ampla margem de segurança. Cenário pouco provável até agora para Greenhalgh.
João Paulo, por exemplo, primeiro petista a se transformar no titular da vaga, garantiu sua vitória em 2003 com 434 dos 484 votos válidos. Não havia adversários.