A campanha para as eleições de 2006, com início oficial distante 13 meses, já começa a ganhar as ruas do Rio de Janeiro. Neste domingo, no bairro de Laranjeiras, o professor William Campos reúne militantes, intelectuais e personalidades da política estadual ao se declarar candidato a uma vaga à Assembléia Legislativa do Estado (Alerj), pela legenda do PT. Em seu discurso, o representante fluminense do Ministério da Educação lembra desde o tempo em que participou dos movimentos estudantís e na criação dos grêmios, junto com outros 36 estudantes, entre eles Antônio Bento, hoje mais conhecido como Tony Garrido, vocalista do Cidade Negra.
Karl Marx, Friedrich Engels, Alfredo Sirkis, Fernando Gabeira, Carlos Minc, Cid Benjamim, José Dirceu e Wladimir Palmeira são citados por William Campos com a reverência de quem reconhece a linha ideológica daqueles que dedicaram vidas na luta contra a ditadura e, desde a juventude, a importância de militar em uma organização partidária. No voto, o futuro candidato alcançou o diretório do PT e participou, como secretário estadual de Educação, do governo de Benedita da Silva.
- Governei todos os dias, até o último dia. Ainda hoje sou chamado de secretário - disse.
A presença do professor no cenário político do Rio de Janeiro também é lembrada no discurso. William Campos foi pré-candidato petista ao governo do município nas últimas eleições, quando o partido preferiu a candidatura de Jorge Bittar.
- Botei na cabeça que Jorge Bittar não era o melhor candidato para a Prefeitura do Rio e resolvi buscar alternativas que não fossem o Chico Alencar. Edson Santos não quis, Carlos Minc não quis, Benedita estava ministra. Resolvi dar uma de Ulisses Guimarães e me lancei pré-candidato dentro da Articulação e dentro do PT. Dizia que, para perder com Bittar, era melhor peder comigo. Além de preservarmos Bittar, seria uma eleição mais emocionante, na medida em que eu demarcaria muito com o (Luiz Eduardo) Conde, candidato de Garotinho e com César Maia, com quem quero acertar as contas desde a derrota de 1992. No fundo, achava que o PT precisava renovar seus quadros, apresentar outros nomes para a população - afirma.
William lembra, ainda, a nomeação para o Ministério da Educação, durante o período do ministro Cristovam Buarque. Como representante do MEC no Estado do Rio, recém-nomeado, ele lembra o estado de abandono a que este setor público estava relegado.
- Tratava-se de uma massa quase falida. O governo de FHC fechou todas as delegacias do MEC, sobrando apenas duas representações (RJ e SP), que ficaram praticamente sem mudanças nos 11 primeiros meses do governo Lula. Logo após a minha entrada, o ministro Cristovam Buarque foi demitido, entrando Tarso Genro em seu lugar. Sei que muitos petistas gostam de Cristovam Buarque, mas para mim ele é o caso do grande professor que não sabe administrar. Nasceu para o Legislativo e não para o Executivo. Com Tarso Genro tudo mudou para melhor no Ministério da Educação - lembra.
William Campos tem 38 anos, é professor de História e integrante da Executiva Regional do PT no Estado do Rio.