Rio de Janeiro, 15 de Agosto de 2026

PSTU oferece legenda a petistas descontentes

O presidente do PSTU (Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado), José Maria de Almeida, ofereceu a legenda aos parlamentares que se desligarão do PT e a outros integrantes da esquerda que estão descontentes com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. (Leia Mais)

Segunda, 01 de Setembro de 2003 às 18:12, por: CdB

O presidente do PSTU (Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado), José Maria de Almeida, ofereceu a legenda aos parlamentares que se desligarão do PT e a outros integrantes da esquerda que estão descontentes com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

- Não é fácil construir um novo partido. Por isso, oferecemos o PSTU aos parlamentares da esquerda, sem pedir nada em troca. Queremos transformar a campanha de 2004 num amplo debate sobre a criação de um partido único de esquerda - disse José Maria.

Para o presidente de um dos mais radicais partidos esquerdistas em atividade no País, é hora de unificar o "discurso contrário ao Fundo Monetário Internacional (FMI), à reforma da Previdência e ao domínio político da burguesia". E isso pode ser feito agora no PSTU.

José Maria acha que, a depender das negociações, o PSTU pode até desaparecer para dar lugar a um novo partido de esquerda, de oposição ao governo Lula. "Há espaço para crescermos, porque o descontentamento é muito grande", afirma ele.

A princípio, o empréstimo do PSTU foi oferecido aos deputados João Batista Araújo, o Babá (PA), João Fontes (SE) e Luciana Genro (RS), e à senadora Heloísa Helena (AL), todos ameaçados de expulsão pela direção do PT.

Mas José Maria acha que outros políticos do PT e talvez até do PC do B podem buscar uma nova legenda. A pressa para a formação de um novo partido tem explicação: quem não se filiar até o dia 2 de outubro não poderá concorrer a qualquer cargo na eleição municipal do ano que vem, conforme exigência constitucional.

Ontem no Rio, os deputados radicais do PT Luciana Genro, João Batista Oliveira de Araújo, Babá, e João Fontes - ameaçados de expulsão do partido votarem contra a reforma da Previdência - reuniram militantes petistas e de outros partidos de esquerda na UERJ, para discutir a formação de um novo partido no país. O tom foi de críticas ao governo.

Eles alegam que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva rompeu seus compromissos com as mudanças políticas e sociais no Brasil. O deputado Babá chegou a acusar o governo de preparar "na surdina", uma reforma trabalhista que, "por exigência do FMI e do Banco Mundial", irá cassar direitos trabalhistas como férias de 30 dias corridos, 13º salário, que poderia ser dividido em até 12 parcelas, licença-maternidade e multa de 40% sobre o Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS), em caso de demissão sem justa causa.

- Na primeira fase, o governo jogou a população contra os servidores públicos para justificar a aprovação da reforma Previdenciária. Mas tramita no Congresso, em fogo brando, a reforma trabalhista, com a tal 'flexibilização laboral'. Supostamente para gerar mais empregos, o que não aconteceu na Argentina, propõem contratos precários com o fim de direitos trabalhistas - disse

Para o secretário-geral da Central Única dos Trabalhadores (CUT) e secretário sindical nacional do PT, João Felício, no entanto, "o Babá babou".

- Isso nunca foi discutido na bancada do PT, na CUT ou no âmbito do governo - afirmou.

O ministro do Trabalho, Jacques Wagner também negou qualquer estudo para flexibilizar a CLT. "O ministro é a favor da da atualização na legislação trabalhista, mas sem flexibilizar os direitos dos trabalhadores. Ele lembra, inclusive, que nos países onde ocorreu esse processo, não houve redução do desemprego", respondeu, oficialmente, o Ministério.

A deputada Luciana Genro seguiu na linha do deputado Babá e apontou "estelionato eleitoral por parte do Lula".

- Temos um limite na discussão sobre o retorno do PT às suas bases. No momento em que formos expulsos, vamos colocar uma pá de cal sobre isso e partir para a formação de uma nova legenda no país, capaz de retomar as bandeiras de luta abandonadas pelo PT. Mas seguiremos a senadora Heloisa Helena (AL) para onde quer que ela vá - disse.

Ao desembarcar em Brasília, a senadora alagoana, por telefone, preferiu não dar pista

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