O PSOL já tem representação pronta para encaminhar ao Supremo Tribunal Federal e à Procuradoria Geral da República contra o senador Renan Calheiros (PMDB-AL) caso o Conselho de Ética o absolva da suspeita de quebra de decoro.
A afirmação foi feita nesta quinta-feira, no Rio, pela presidente do PSOL, ex-senadora Heloísa Helena, e pelo senador José Nery (PSOL-PA), na abertura do Congresso Nacional da legenda, em ato contra a violência no Complexo da Maré, onde Heloísa Helena foi vigiada por traficantes na eleição de 2006.
Foi do PSOL a representação contra Calheiros que resultou na abertura de processo no conselho. - Há indícios relevantes de tráfico de influência, intermediação de interesse privado, exploração de prestígio e abuso de prerrogativas de senador - disse Helena.
Para José Nery, a notícia publicada no "Correio Braziliense" de que Renan teria retificado declarações de renda após o escândalo, o que Renan nega, é um indício contra ele: - Esse fato reforça a convicção de que há ilicitude, é grave e compromete sua defesa. Estaremos vigilantes para que o conselho apure com rigor e aponte as penalidades cabíveis - disse Nery.
Heloísa Helena pediu uma CPI para o caso. - A capacidade auditiva e a sensibilidade política do Congresso são diretamente proporcionais à pressão popular. Só a CPI seria capaz de desvendar esse triângulo de propinas. Operação Navalha é pouco; seria necessária uma Operação Espada de Samurai - ironizou.
O ex-ministro da Casa Civil da Venezuela, Haiman el Troudi (2005-2006), veio ao Rio acompanhar o congresso do PSOL. Membro de conselho do presidente Hugo Chávez, defendeu o fim da concessão à RCTV: - Foi decisão soberana do governo da Venezuela e não violentou a constituição, que inclusive determina a criação de um canal de TV social. Tecnicamente, não havia sinal disponível, e a RCTV deu cobertura ao golpe de Estado de 2002. Só em 2007, cinco anos depois, o governo avaliou a situação e não renovou a concessão - justificou.