Rio de Janeiro, 08 de Novembro de 2026

Psiquiatra de Ryan Gracie será indiciado por homicídio culposo

Quinta, 21 de Fevereiro de 2008 às 16:53, por: CdB

O médico Laércio de Oliveira César, responsável pelo laudo da Polícia Civil que atestou a causa da morte do lutador Ryan Gracie, afirmou na tarde desta quinta-feira que ele morreu por causa da interação entre os medicamentos, alguns deles ministrados pelo psiquiatra Sabino de Farias Neto. Segundo o delegado Roberto Calaça Vieira, responsável pelo inquérito, o médico deve ser indiciado por homicídio culposo

Entretanto, o médico evitou afirmar que houve excesso na dose de remédios: “houve uma interação medicamentosa, o que pode ocorrer mesmo quando as doses não sendo altas. Uma droga interagiu com outras e houve a depressão do sistema nervoso central”, disse.

O laudo conclui que o lutador morreu de hipoxemia, que é a diminuição aguda de oxigênio nos glóbulos vermelhos, causada por um edema agudo de pulmão. Isso foi causado pelo colapso do aparelho respiratório e cardíaco, de acordo o laudo. O coração deixou de funcionar e pulmão também em decorrência da depressão do sistema nervoso central, que controla esses órgãos.

De acordo com o médico do Instituto Médico Legal (IML), o lutador tinha sido medicado porque apresentava problema psiquiátrico. O psiquiatra do lutador administrou medicamentos com finalidade de sedar o paciente e eliminar um quadro paranóico.

Mas, segundo o médico, a cocaína também influenciou na interação medicamentosa, que contribuiu para a depressão do sistema nervoso central. Ele diz que a droga inicialmente excita sistema nervoso, mas depois é potencialmente depressora. Ela explica que a cocaína produz alterações extramamente graves no coração. Segundo ele, o coração do lutador apresentava alterações cardíacas compatíveis com uso prolongado de cocaína.

O médico diz que existem medicamentos que podem causar depressão no sistema nervoso central, como ansiolíticos - calmantes - que atuam no cérebro. Mesmo sendo dadas em doses terapêuticas.

No caso de Ryan Gracie, explica o médico, "essas drogas tiveram um efeito chamado de ‘aditivo'. O efeito de uma somou-se com efeito depressor da outra, eram seis medicamentos potencialmente depressores do sistema nervoso central", disse.

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