O PSDB protocola nesta segunda-feira uma interpelação judicial contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Supremo Tribunal Federal (STF). Na interpelação, os tucanos obrigarão o petista a esclarecer as afirmações de que teria acobertado supostos crimes de corrupção ocorridos antes de seu governo em nome da governabilidade do país.
O presidente do PSDB, senador Eduardo Azeredo (MG), chamou as palavras de Lula de "superficiais, sem a sobriedade e incompatíveis com o exercício do mais alto cargo da nação". O PSDB esperava que Lula explicasse o teor de suas declarações ou voltasse atrás em suas palavras.
O presidente nacional do PSDB avalia que a desastrosa fala do presidente da República decorre da "compulsão que ele tem de fazer discursos o tempo todo e sobretudo, de governar o Brasil com muita saliva e pouca ação".
- É isso que dá um presidente da República não descer do palanque e todo dia ficar falando o que lhe vem à cabeça - criticou o mineiro. A falação do presidente está saturando a opinião pública, na visão do senador tucano. - Lula confirma aquele velho ditado: quem fala muito dá bom dia a cavalo.
O líder do PSDB na Câmara, Alberto Goldman (SP), também apresentou na sexta-feira uma denúncia ao presidente da Casa, deputado Severino Cavalcanti (PP-MG), pedindo a abertura de um processo contra o presidente Lula por crime de responsabilidade. O requerimento foi entregue à Secretaria da Mesa da Casa.
No documento, Goldman acusa o petista de ter cometido os crimes de improbidade administrativa e abuso de poder por ter acobertado, segundo declarações do próprio Lula, supostas práticas de corrupção ocorridas no governo passado.
- Ao tomar conhecimento da prática de atos de corrupção, o presidente Lula deveria ter adotado as providências cabíveis para averiguação e punição dos eventuais culpados. Como não procedeu dessa forma, cometeu ato de improbidade administrativa - informou o líder do partido na Câmara.
Além disso, segundo Goldman, ao determinar ao seu "alto companheiro" simplesmente que "fechasse a boca" o presidente petista coagiu seu subordinado "utilizando-se de sua autoridade como Chefe do Poder Executivo para escamotear dolosamente suposto prejuízo acarretado à Nação."
- Essa atitude também configura abuso de autoridade. Terminando por coagir e submeter praticamente todo o Poder Executivo a sua vontade pessoal de ocultar as denúncias - afirmou.
Por fim, o tucano considerou a atitude do presidente da República um atentado contra "os princípios básicos da administração pública ao violar os deveres da honestidade, legalidade e lealdade às instituições que deveriam ser incondicionalmente observados pelo Mandatário da Nação", completou.