Com o processo disciplinar aberto no diretório municipal, a maioria da bancada do PSDB na Câmara Municipal acha que chegou a hora de olhar para a frente e deixar restrita ao âmbito da legenda a definição do futuro do vereador Roberto Tripoli (PSDB) eleito presidente da Casa. A avaliação é de que não se pode deixar a questão partidária contaminar a relação do governo com o Legislativo. Em outras palavras, cabe ao PSDB resolver a questão: o papel da bancada é ajudar o governo e não pensar mais na derrota de sábado.
Hoje, em almoço informal, nove dos 12 vereadores tucanos falaram sobre amenidades, mas também sobre o que fazer no futuro. "Ninguém discute que houve um erro e que ele precisa ser punido. O que queremos é conversar no Legislativo", disse um tucano. "Tripoli está aberto ao diálogo na Câmara, e isso é importante para qualquer governo. Ele é o presidente da Casa, pode facilitar ou dificultar a vida."
Na avaliação de outro vereador, os primeiros dias do Legislativo - o recesso termina em fevereiro - vão ser fundamentais para saber se o governo terá no presidente da Casa um aliado ou não. "Não sabemos o grau de compromisso que ele assumiu com Centrão e PT."
Um dos primeiros procedimentos na Casa é a composição das comissões parlamentares, que analisam os projetos de lei antes de enviá-los ao plenário e ditam o tempo de tramitação das propostas. Quanto maior a bancada, mais vagas ocupa. A questão é que, sem Tripoli, os tucanos passam a ser a segunda maior bancada, ficando com um vereador a menos que o PT.
Dentro do partido, o clima não esfriou. Ricardo Montoro voltou a atacar Tripoli. "Não havia hipótese de eu ser derrotado se ele votasse em mim. Dizer que não queria votar no Mário Dias (sob a alegação de que apoiou Paulo Maluf) é mentira", acusou. "Se o Centrão lançasse Wadih Mutran (PP), eles perderiam um voto do PT e eu seria eleito sem precisar do desempate pela idade."
Hoje (04), Tripoli não quis falar sobre o episódio. Garantiu, porém, que vai respeitar a proporcionalidade na composição das comissões. "Isso são os integrantes que decidem." Um de seus primeiros atos como presidente foi a promulgação de uma lei de sua autoria.
A dúvida dos tucanos sobre a inclinação de Tripoli no futuro pode ter lógica. Ele foi do PV e estava no PSDB há dez anos, mas nesse período chegou a ser especulado para ocupar a Secretaria do Meio Ambiente na gestão Maluf, graças a uma proposta sobre poluição sonora que o então prefeito gostou. Em 2000, o GRUPO ESTADO flagrou uma associação que distribuía leite em um programa do governo estadual, ser usada para reuniões em que se pedia votos ao vereador. Naquele ano, Tripoli foi o mais votado do PSDB.
Rio de Janeiro, 13 de Setembro de 2026
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