O PSDB está se preparando para fazer uma dura oposição ao governo do presidente Luis Inácio Lula da Silva e lançar um nome à sucessão presidencial. Os tucanos querem retomar o projeto "PSDB, 20 anos de governo", lançado pelo ex-ministro das Comunicações, Sérgio Motta (já falecido).
O nome do tucanato para a sucessão de Lula não podia ser outro: Fernando Henrique Cardoso. Depois de pouco tempo afastado, o ex-presidente volta com força total ao cenário político, fazendo duras críticas ao governo de seu sucessor e articulando um bloco de oposição a Lula no Congresso.
Apesar disso, FHC não participou na sexta-feira do encontro que o PSDB realizou no Rio de Janeiro. A direção do partido classificou o evento como a mais importante reunião do ano. No encontro, foram traçados os passos para o partido se solidificar como oposição e garantir uma candidatura sólida em 2006 para marcar a criação de uma frente ampla de oposição ao governo Lula.
- Este governo precisa de muita oposição, porque precisa melhorar muito - afirmou o líder tucano no Senado, Arthur Virgílio Neto (AM). "Temos que ser uma oposição firme e dura, mas jamais irracional ou estúpida, como a que sofremos por parte do PT".
Arthur Virgílio chegou a comparar o governo Lula ao de João Goulart.
- Vejo neste governo fraqueza e fragilidade, tanto quanto vejo historicamente no governo João Goulart -disse. Questionado se isso significa que considera que há algum perigo de golpe político no Brasil, o senador negou:
- O Brasil é outro hoje. Não vejo risco de golpe, e nem nós permitiríamos. Mas digo que este é um governo de oportunidades históricas perdidas, e isso é muito cruel.
Prosseguindo nos ataques ao governo petista, o senador disse também que "Lula não está bem, o governo não está bem. É preciso uma virada de rumo, uma reforma ministerial". Virgílio acusou o governo de ter "um ritmo frouxo, vacilante e prepotente".
De acordo com fontes tucanas, Fernando Henrique Cardoso é hoje o nome que poderia agregar as siglas que lhe deram sustentação no passado e apresentar uma candidatura sólida para 2006. Mas para todos existe uma certeza: o ex-presidente só vai aceitar disputar uma nova eleição com o presidente Lula se o governo petista estiver desgastado. E é para ajudar neste desgaste que os tucanos estão formando a frente de oposição. Na avaliação de aliados, Fernando Henrique não entrará numa disputa com o risco de perdê-la.
Enquanto uma futura candidatura FHC ainda engatinha, os trabalhos para afastar outros nomes, como o do ex-senador José Serra (SP), andam a todo vapor. Ele é citado como o candidato tucano para disputar a prefeitura de São Paulo, contra a petista e atual prefeita, Marta Suplicy. Esta seria uma forma de enterrar as pretensões de Serra de voltar a concorrer ao Planalto.
O retorno de FHC à cena política se dá de uma forma indireta, por meio de entrevistas e balanços duros, incisivos e muitas vezes irônicos sobre os seis meses do governo Lula. Apesar de oficialmente estar se dedicando ao instituto que leva seu nome, FHC passa o seu tempo, na realidade, articulando esta frente de oposição que o PSDB tenta colocar em marcha a partir de agora.
Mas, qual seria a opção ao nome de FHC, caso o ex-presidente não aceite se candidatar em 2006? Para o PSDB o nome a ser preparado é o do atual governador de São Paulo, Geraldo Alckmin. Na disputa, como sempre, está o senador cearense Tasso Jereissati, além de José Serra. Mas a direção tucana, tradicionalmente paulista, descarta a força de Tasso e acha que Serra não tem o apelo popular necessário para conseguir a vitória nas próximas eleições. Cabe então a construção do nome de Alckmin.
Sobre o papel a ser desempenhado por FHC nos próximos anos, o PSDB está fechado ao afirmar que o ex-presidente é uma referência política nacional e partidária. Como foi presidente da República por oito anos, tem um nome sólido e reconhecimento