A bancada do PSDB no Senado decidiu manter a orientação de votar contra a PEC (proposta de emenda constitucional) que prorroga a cobrança da CPMF até 2011. Os tucanos se reuniram nesta quarta-feira para avaliar a nova proposta feita pelo governo para tentar conseguir o apoio da oposição.
Pela nova proposta, o governo repassaria 100% dos recursos arrecadados com a CPMF para a saúde. Hoje, só a parcela de 0,20 da alíquota de 0,38% é destinada ao setor.
Para garantir o cumprimento da proposta, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva chegou a prometer que assinaria uma carta-compromisso. Nesse documento, Lula também sinalizaria que a CPMF teria a vigência de somente mais um ano e seria rediscutida dentro de uma reforma tributária.
Mesmo dividida, a bancada do PSDB decidiu não aceitar os apelos de Lula e dos governadores. Parte dos 13 senadores da bancada do PSDB sinalizou a disposição de votar a favor da CPMF. Mas foram convencidos pelos demais a não mudar de opinião na última hora.
— Os 13 [senadores da bancada tucana] vão votar contra. O governo teve todo o prazo do mundo para se entender. Nada fará uma mudança de comportamento —, disse o senador Álvaro Dias (PSDB-PR).
Segundo ele, o partido não pretende realizar punir quem descumprir essa orientação. Diferentemente do DEM, que fechou questão nesta votação e ameaça punir os traidores, o PSDB só orientou seus senadores a votarem contra a proposta.
O governador de Minas, Aécio Neves (PSDB), disse nesta quarta-feira que a nova proposta do governo para conseguir o apoio da oposição na aprovação da prorrogação da CPMF representa uma "vitória do país".
— Virarmos as costas para essa proposta apenas para ficarmos contra o governo, criarmos mais dificuldade para o governo, não é a postura do PSDB —, disse.
Num sinal de divisão com a bancada de senadores, Aécio afirmou que não há motivo para não aprovar a nova proposta.
— Eu conversei durante toda a manhã com os nossos líderes no Senado, o presidente do partido, é claro que a decisão final é do Senado. Mas eu não vejo porque não aprovarmos essa proposta —, disse.
Segundo Aécio, a nova proposta é "importante para o país".
Rio de Janeiro, 01 de Novembro de 2026
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