Rio de Janeiro, 05 de Novembro de 2026

Próximo presidente dos EUA vai definir o rumo da crise na Colômbia

Por Gilberto de Souza - Resolver a situação política da Colômbia é uma tarefa que caberá ao próximo presidente dos Estados Unidos da América. Parece estranho, no mínimo insensato, dizer que o dirigente a ser escolhido pelo povo dos EUA, nas urnas este ano, será a pessoa decisiva para a condução dos destinos de um outro país, distante léguas de Washington. (Leia Mais)

Sábado, 26 de Janeiro de 2008 às 12:31, por: CdB

Resolver a situação política da Colômbia é uma tarefa que caberá ao próximo presidente dos Estados Unidos da América. Parece estranho, no mínimo insensato, dizer que o dirigente a ser escolhido pelo povo dos EUA, nas urnas este ano, será a pessoa decisiva para a condução dos destinos de um outro país, distante léguas de Washington. A realidade, porém, não guarda mais fronteiras físicas, mas econômicas. Da mesma forma como o presidente norte-americano que se despede, George W. Bush, determinou a invasão de um país e assina o óbito de mais de 180 mil pessoas, entre elas combatentes de ambos os lados e as baixas civis do Iraque, o seu sucessor precisará se definir quanto à intervenção escancarada que promove na Colômbia.

A mais conhecida agência de inteligência dos EUA (CIA, na sigla em inglês) trabalhou junto às fontes do poder econômico colombiano no sentido de eleger um representante dos interesses dessas oligarquias e, por conseguinte, das empresas ianques instaladas no país. Álvaro Uribe tem cumprido, à risca, sua parte no acordo ou, no mínimo, tentado como pode. Quanto às oligarquias nacionais da Colômbia, leia-se: Os conglomerados financeiros que integram, com o beneplácito das grandes empresas norte-americanas, o Partido Conservador. O mesmo no poder desde o Bogotazo, em 1948, e da guerra civil que cingiu aquele país ao Estado beligerante em que hoje se encontra, cercado pelas guerrilhas das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), na retaguarda, e do Exército de Libertação Nacional (ELN) pelos flancos.

Na medida em que avança o prestígio - econômico e financeiro - do vizinho Hugo Chávez, o governo colombiano busca o apoio de Washington para assegurar-se no poder, ainda que seu parceiro do norte, seguramente, não possa mais segurar coisa alguma, além da guerra em duas frentes que abriu no Oriente Médio, com a pedra da recessão amarrada ao pescoço, enquanto afunda no lamaçal de mentiras e corrupção em que o Partido Republicano lançou aquele país, desde o 11 de setembro. A par dos fatos, Chávez eleva o tom contra Uribe e o nível de ofensas já chegou à baixaria. Evidentemente, um militar graduado, como é o caso do comandante venezuelano, não sai por aí - impunemente - chamando o presidente do país ao lado de cachorro, sem-vergonha, marionete e por aí vai. Armados até os dentes com os mais de 100 mil fuzis Kalashnikov, muita munição e petrodólares a rodo, venezuelanos e colombianos de esquerda preparam o ataque final sobre a direita aquartelada na Casa de Nariño. É questão de tempo.

Com a fleuma do Itamaraty, velho observador da brigalhada que, vira e mexe, eclode do lado de lá da fronteira continental, o governo brasileiro dá a impressão de se situar muito mais próximo do "companheiro Chávez" do que de seu desafeto, embora não feche - jamais - a porta ao diálogo e ao entendimento. Lula, com três anos ainda pela frente no Palácio do Planalto, é personagem estratégica na geopolítica desta cena latino-americana, ao passo que se firma como voz independente e equilibrada nas disputas entre os Estados limítrofes. Com os conservadores colombianos fora do caminho, a última fronteira do establishment norte-americano fica mais aberta do que o muro que divide a Faixa de Gaza e o Egito. Vira uma passarela asfaltada para a revolução bolivariana, ou o que valha, descer até a Terra do Fogo.

Nem é preciso cursar as aulas de demonologia da Escola Superior de Guerra, na Urca, ou de Langley, na Virgínia (EUA), para perceber que o Tio Sam já colocou suas barbas de molho quanto à "ameaça vermelha" em curso na América Latina. Mas, justiça seja feita, seguraram enquanto puderam a situação. Patrocinaram, às raias da exaustão, o avanço do neoliberalismo na região. Privatizaram o que podiam e o que não podiam. Exportaram cada grama possível da riqueza produzida no que, até ao máximo, puderam considerar como "o quintal de casa". Expoliaram os bens de milhões de pessoas, que entre eles chamam de "c

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