Rio de Janeiro, 07 de Setembro de 2026

Próximo papa pode decidir santidade rápida para João Paulo II

Sábado, 09 de Abril de 2005 às 09:42, por: CdB

"Santo Subito", gritava a multidão. "Santifique-o agora!" A exigência, gritada e escrita em grandes faixas no funeral do papa João Paulo II na sexta-feira, será um dilema para seu sucessor.

A santidade na Igreja Católica Romana costuma levar décadas, ou mesmo séculos, para ser alcançada. Mas para João Paulo II, o veredicto popular está claro.

As regras da Igreja dizem que o primeiro passo para a santidade não pode começar até cinco anos depois da morte do candidato. A regra foi feita para permitir que as emoções se normalizem depois que uma pessoa morre e para que as testemunhas e a documentação que apóiam a causa da santidade sejam preparadas.

Mas João Paulo II, que quebrou muitas regras processuais durante seu longo papado, criou um precedente ao quebrar essa também. Em 1999, ele fez com que o processo de santidade de Madre Teresa de Calcutá começasse apenas dois anos depois de sua morte.

Ao falar neste sábado sobre o clamor popular por uma santidade rápida, o porta-voz chefe do Vaticano, Joaquin Navarro-Valls, disse que:

- A decisão pertence exclusivamente ao próximo papa.

Cerca de 5 milhões de fiéis viram o corpo do papa ou compareceram a seu funeral. Em comparação, o santuário de Lourdes, na França - onde acredita-se que Nossa Senhora tenha aparecido -, recebe seis milhões de peregrinos em um ano inteiro.

O papa João Paulo II beatificou 1.388 pessoas e canonizou 482 santos, mais do que todos os seus antecessores juntos desde o início de tais procedimentos, em 1588.

E agora peregrinos e prelados dizem que é a sua vez.

O procedimento para tornar um homem santo costuma ser longo, burocrático e caro. Quando uma causa por santidade começa, o candidato recebe o título de "servo de Deus". Um "postulador" é nomeado para ajudar a reunir informações de pessoas que conheciam o candidato, buscando provas de sua santidade. Nesse caso, o postulador poderia ser alguém que trabalhou com o papa no Vaticano. Um "relator" é então apontado para avaliar as provas e fazer uma recomendação.

Muitas das pessoas que conheciam ou trabalharam com o papa ainda vivem. Isso poderia acelerar o caso de maneira significativa porque as testemunhas estariam prontas para dar seus testemunhos.

Seu processo de santidade também seria mais rápido porque seria classificado como "recente", ao invés de "antigo", deixando de lado uma comissão histórica do Vaticano e indo direto para uma comissão teológica.

Se uma investigação inicial se mostrar positiva, o sucessor de João Paulo pode divulgar um decreto reconhecendo as "virtudes heróicas" da pessoa. O candidato, então, recebe o título de "venerável".

É necessário um milagre depois da morte do candidato para que a causa rumo à beatificação prossiga. Esse milagre deve ser o resultado de orações pedindo ao candidato a santo que interceda junto a Deus. Segundo jornais italianos, o Vaticano já tinha informações de "milagres" que fiéis do mundo todo atribuem a João Paulo II.

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