O catolicismo romano, a mais velha, maior e provavelmente mais diversificada igreja do mundo, apresentará um desafio único ao homem que será escolhido no final deste mês para suceder o carismático João Paulo 2o.
A Igreja de 1,1 bilhão de fiéis está se expandindo vigorosamente em países em desenvolvimento mas está se estagnando em seu berço, a Europa.
O espectro católico vai desde camponeses devotos até intelectuais críticos, cujas visões sobre assuntos como o ordenamento de mulheres e a contracepção vão desde "sim, por favor!" a "não, nunca!"
Estes temas continuarão a ser discutidos durante o próximo papado, não importa quão longo ele seja, e levará o catolicismo muito além do ideal de simples e imutável Igreja na qual se manteve durante séculos até as mudanças culturais estabelecidas pelo Concílio Vaticano 2o. nos anos 1960.
"Este papa teve um problema e este será o problema do futuro, ter unidade na diversidade", disse o cardeal de Bruxelas, Godfried Danneels, ao mencionar qual foi o legado de João Paulo 2o.
"Mais e mais no futuro próximo, as diferentes regiões do mundo serão cada vez mais diferentes."
Cada continente parece ter seus próprios desafios --pobreza na África, secularismo na Europa, abuso sexual clerical na América do Norte, competição com cultos evangélicos na América Latina e a predominância de outras religiões na Ásia.
Cardeais aptos a eleger o próximo papa podem ser vistos falando sobre diferentes igrejas quando ressaltam os desafios que terão pela frente. Latino-americanos raramente mencionam o problema dos bancos de igreja vazios na Europa, enquanto os escândalos de abuso sexual estão entre as últimas preocupações dos asiáticos.
Esta diversidade se desenvolveu no século passado, à medida que o trabalho missionário europeu desenvolvido nos séculos antecedentes nos países em desenvolvimento deu frutos, fazendo florescer a fé por lá, enquanto secularismo e consumismo abalaram as estruturas em seu continente de origem.
Em 1900, 68 porcento dos católicos do mundo viviam na Europa e 22 porcento na América Latina. Hoje a Europa responde por 25 por cento do total de católicos do mundo, enquanto a América Latina emergiu para 43 por cento porcento.
Daqui a 20 anos, a participação da Europa deve cair para 20 por cento, segundo estimativas do Banco de Dados do Mundo Cristão.
A África tinha apenas 0,7 porcento dos católicos do mundo em 1900, mas hoje eles são 13 porcento e devem chegar a 18 porcento por volta de 2025, enquanto o animismo local perde apelo.
O crescimento dos católicos na Ásia é mais lento. Passaram dos 4,2 porcento em 1900 para os 11,1 porcento atuais e devem subir para 12 porcento em 2025.
"O declínio em algumas áreas é compensado por crescimentos em outras", disse Todd Johnson, diretor do Centro de Estudos da Cristandade Global em Wakefield, Massachusetts (EUA), que administra a base de dados.
Entre os 6,45 bilhões de habitantes do planeta, 2,14 bilhões são cristãos, dos quais 1,12 bilhões são católicos. Os números do Islã beiram 1,2 bilhões, mas a religião não é tão estruturada, como também acontece com credos mais antigos, como o Judaísmo, o Hinduísmo e o Budismo.
Existe uma estatística difícil de documentar entre o número de católicos batizados e o dos que frequentam regularmente a missa de domingo. Pesquisas acerca da assiduidade são complicadas porque alguns católicos dificilmente admitirão que perdem uma missa ou outra, dizem os pesquisadores.
No norte da Europa, cerca de 10 a 15 porcento dos católicos vão à missa regularmente. Este índice sobre para 30 a 40 porcento em países tradicionalmente católicos, como a Polônia, Itália, Espanha e Irlanda.
Uma recente pesquisa indicava que 32 porcento dos católicos iam a missa toda semana nos Estados Unidos, onde a sociedade é geralmente mais religiosa que na altamente secularizada Europa.
Outro barômetro da saúde da Igreja é o número de padres que administram os sacramentos aos fiéis.
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