O ministro da Fazenda, Antonio Palocci, se saiu bem, nesta quinta-feira, na audiência da Comissão de Constituição e Justiça do Senado sobre a reforma tributária. Durante mais de sete horas, ele foi bombardeado pela oposição, que acusou o governo de usar a reforma com o propósito de só aprovar a prorrogação da CPMF e da Desvinculação das Receitas da União (DRU) e de promover aumento da carga tributária, mas reagiu com serenidade.
- O Brasil merece mais que a CPMF - disse.
O líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (PSDB-AM), disse ainda que o ministro correria o risco de ter um infarto de felicidade se o Senado anunciasse que promulgaria apenas a CPMF e a DRU, abandonando os demais pontos da reforma.
- Eu temo pela sua saúde. Acho que o senhor teria um infarto de felicidade se disséssemos que só iríamos aprovar a prorrogação da CPMF e da DRU - disse Virgílio.
Tranqüilo, Palocci respondeu que ainda não testou sua saúde mas disse que espera não morrer com notícias desse tipo:
- Se eu vou morrer com uma notícia como essa é uma resposta que não consigo responder. Espero não morrer no dia que ficar muito feliz - disse.
O ministro disse ainda que não precisa se esconder atrás da reforma tributária para aprovar a CPMF. Segundo Palocci, se esse fosse seu propósito, ele iria diretamente ao Congresso e diria que o Brasil precisa da CPMF, não precisando de todo esse sacrifício que o governo tem feito para aprovar a reforma.
Virgílio também não perdeu a oportunidade para provocar Palocci sobre a crise na Receita Federal. O senador tucano pediu que o ministro explicasse as brigas internas na Receita, mas ele disse que não comentaria o assunto. O senador Agripino Maia (PFL-RN), que faria a próximo pergunta a Palocci, ironizou:
- O Virgílio ficou sentido porque o senhor não quis falar sobre a crise na Receita, o que acaba por prejudicar a arrecadação. Eu não vou tratar desse tema, mas tenho certeza que o senhor vai falar e explicar tudo para a imprensa - disse.
Palocci disse na CCJ que é preciso mudar a estrutura tributária do país para permitir que as empresas produzam, gerem empregos e reativem a economia. Segundo ele, o atual sistema trava a economia e é preciso parar de brigar para saber quem vai ficar com que pedaço da arrecadação e buscar uma forma de resolver o problema das empresas.
O ministro disse que a disputa entre União, estados e municípios em torno da arrecadação de impostos está com o foco errado.
Provocado pela oposição Palocci diz que 'o Brasil merece mais que a CPMF'
Quinta, 09 de Outubro de 2003 às 20:03, por: CdB