Rio de Janeiro, 22 de Maio de 2026

Provas da máfia dos concursos foram queimadas

Terça, 14 de Junho de 2005 às 07:32, por: CdB

A Polícia Civil do Distrito Federal descobriu, através de escutas telefônicas autorizadas pela Justiça, que os documentos que comprovavam os crimes cometidos pela máfia dos concursos foram queimados, após a Operação Galileu, que culminou na prisão dos principais suspeitos de integrar o bando.

 

A conversa foi gravada dois dias depois da prisão de Hélio Ortiz e outras 51 pessoas acusadas de integrar a quadrilha que fraudava concurso públicos em todo o país ou de se beneficiar dos golpes.

 

Em um trecho do diálogo, interceptado em 24 de maio, pessoas ligadas ao técnico Hélio Ortiz, 51 anos, apontado como líder da quadrilha, falaram sobre a queima dos documentos. Na linha estão um rapaz e mulher, amigos da família Ortiz:

- O Lécio queimou logo um monte de coisa na casa dele ontem, rasgou um monte de coisa, queimou um monte de coisa - disse a mulher, identificada apenas como Joyce.

Os investigadores da Divisão de Combate ao Crime Organizado apontam que o homem citado na escuta é Lécio Garcia Ortiz, 58 anos, irmão de Hélio Ortiz.

No diálogo grampeado, o homem e a mulher também falam da dúvida sobre a existência de mandado de prisão contra Lécio. Não havia mandado contra ele. O homem e a mulher comentam ainda sobre Hélio Ortiz Filho, 22, filho mais novo de Hélio Ortiz. O rapaz estava sozinho com a mulher em casa, sem dinheiro para pagar as contas da família, pois, além do pai, estavam presos a mãe e a irmã, acusados de integrar a quadrilha.

Termina nesta quarta-feira o prazo para que o inquérito que investiga a ação da quadrilha apenas no concurso do Tribunal de Justiça do DF, realizado em 2003, seja enviado à Justiça. Dez pessoas foram indiciadas por integrarem o grupo supostamente liderado por Hélio Garcia Ortiz, 51 anos. Outras 15 são apontadas como beneficiárias do esquema. De acordo com o documento, elas foram aprovadas na seleção porque receberam antecipadamente as respostas da prova.

De acordo com o diretor da Divisão de Repressão ao Crime Organizado (Deco), Cícero Vasconcelos, o inquérito será enviado à 3ª Vara Criminal do DF dentro do prazo delimitado. Após isso, a polícia vai aguardar a decisão da Justiça sobre a quem compete julgar o caso.

A Deco recebeu denúncias apontando seis funcionários do tribunal como supostos beneficiários do esquema, que ainda não foram descobertos pelos investigadores. Vasconcelos disse que enviará um ofício à Justiça para que essas pessoas sejam obrigadas a se apresentarem à polícia e prestem esclarecimentos sobre as acusações.



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