O delegado Protógenes Queiroz, da Polícia Federal, disse que ele e sua família vêm sofrendo retaliações por causa das investigações que fez durante a Operação Satiagraha. Segundo o delegado, dois familiares dele teriam sido demitidos sumariamente dos seus empregos. Ele também contou a jornalistas ter sido alvo de mandados de busca e apreensão "só para causar constrangimentos", porque não havia nada a ser encontrado.
Protógenes avisou que ainda há novos dados da Satiagraha a serem divulgados, mas não quis entrar em detalhes sobre isso e sobre a suposta perseguição aos seus parentes. Apesar dessas pressões, ele garantiu que não tem medo "de ninguém".
O delegado disse que em seu depoimento à CPI do Grampo, no próximo dia 8, vai mostrar indignação quanto ao que considera uma "inversão de papéis": segundo ele, os investigadores se transformaram em investigados, pois existe "uma coordenação jamais vista de forças políticas" para desqualificar os policiais da Satiagraha.
– Tenho tentado, sempre que possível, esclarecer a população sobre o que está acontecendo, e farei isso novamente no meu depoimento – afirmou.
Ele ressaltou que não existe nenhum indício de irregularidade na Satiagraha:
– Fui indiciado não por fatos relativos a escutas, e sim por compartilhar dados com a Agência Brasileira de Inteligência (Abin). E o Tribunal Regional Federal de São Paulo decidiu, na semana passada, que isso é legal – afirmou.
Acareação
Presidente da CPI, deputado Marcelo Itagiba (PMDB-RJ), lamentou nesta quinta-feira o habeas corpus obtido pelo delegado e disse que o objetivo da CPI é ouvi-lo sobre as várias versões que teria apresentado sobre a Satiagraha. O deputado disse considerar importante uma acareação entre Protógenes e o ex-diretor da Polícia Federal Paulo Lacerda, também já convocado pela CPI.
A Operação Satiagraha prendeu, no início de julho de 2008, mais de 20 pessoas acusadas de crimes financeiros, como lavagem de dinheiro, gestão fraudulenta, evasão de divisas e formação de quadrilha. Entre os presos, estavam o investidor financeiro Naji Nahas; o empresário Daniel Dantas, dono do Banco Opportunity; e o ex-prefeito de São Paulo Celso Pitta.