Rio de Janeiro, 02 de Setembro de 2026

Protestos prometem esquentar verão europeu

Quinta, 19 de Maio de 2011 às 07:05, por: CdB

A Espanha amanheceu sob protesto. Já são milhares de espanhóis, em sua maioria, jovens, acampados em 30 praças do país. A concentração de maior vulto se dá no marco zero de Madri, na La Puerta del Sol. Trata-se de uma clara expressão da insatisfação dos europeus diante do alto desemprego e da piora de suas condições sociais.
 
Os protestos já são considerados expressão do mal-estar econômico que se instalou no Velho Continente. Mas trazem um elemento novo. Assim como as revoltas da Praça Tahrir (Cairo), a manifestação chega agora à Espanha sob novo formato: organizada pela internet e suas redes sociais, é composta por um público que se diz "indignado" e sem identificação partidária.

Chama a atenção o fato de esses movimentos se darem fora do sistema sindical e, tudo indica, do político-partidário. Essa é uma novidade extraordinária, que pode ser o prenúncio de uma onda de manifestações em toda a Europa, agora, com a chegada do verão. Se isso ocorrer, veremos uma repercussão direta nos resultados eleitorais. Vale destacar que a taxa de desemprego na Espanha triplicou nos últimos três anos e hoje atinge 21% da população. Uma realidade dura que se dá no âmbito das políticas de austeridade do governo Zapatero.
 
Europa em crise
 
Mas, como todos sabemos, a Espanha não é caso isolado. Outros países como Portugal e Grécia que já contaram, em menor escala, com manifestações semelhantes. Era esperada a mudança nos rumos da política da União Europeia, já que, os ajustes e planos capitaneados pela Alemanha de Angela Merkel submetem o continente às determinações do FMI e ao receituário neo liberal. Impuseram, ainda, aquelas  idéias que vieram dos Estados Unidos na década de 80 e que mostraram sua real face com a crise de 2008-2009. Na prática, equivalem à rendição da social democracia européia e o fim do estado de bem estar social conquistado, a duras penas, pelos trabalhadores em 150 anos de luta.

O amargo receituário não deu ou dará bons resultados. Seus programas de ajuste para resultam no pior dos mundos: recessão, desemprego, crises social, política e institucional. E vejam o absurdo. A chanceler alemã, retomou a tese de que os europeus endividados e em crise são preguiçosos. Ontem Angela Merkel recomendou que os endividados como Portugal e Grécia que trabalhem mais, ampliem a idade mínima de aposentadoria de seus trabalhadores e reduzam o período de férias destes.

 

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