Rio de Janeiro, 05 de Novembro de 2026

Protestos pró-Tibet mobilizam Londres

Pelo menos 30 pessoas foram detidas durante protestos pró-Tibet que acontecem neste domingo ao longo dos cerca de 50 quilômetros de jornada da tocha olímpica pela capital britânica, Londres. Manifestantes pró-Tibet tentam agarrar tocha e vaiam durante jornada pela cidade. Em Paris, mobilização na véspera da chegada do fogo olímpico

Domingo, 06 de Abril de 2008 às 08:45, por: CdB

Pelo menos 30 pessoas foram detidas durante protestos pró-Tibet que acontecem neste domingo ao longo dos cerca de 50 quilômetros de jornada da tocha olímpica pela capital britânica, Londres.

Os protestos contra a violação dos direitos humanos praticada pelo governo da China começaram mesmo antes de a tocha deixar o estádio de Wembley nas mãos do campeão olímpico de remo Steve Redgrave. Durante a corrida da apresentadora do programa infantil Blue Peter, Konnie Huq, um manifestante conseguiu chegar à tocha e tentou tirá-la das mãos dela.

Após uma mudança de rota que não estava prevista no plano divulgado para a imprensa, o embaixador da China carregou a tocha pela passagem por Chinatown em meio a temores de que a medida pudesse gerar protestos mais intensos.

Participação do premiê

Apesar de ter recebido pedidos para boicotar a passagem da tocha por Londres, o primeiro-ministro britânico Gordon Brown saiu de sua residência, em Downing Street, para aparecer ao lado do símbolo dos valores olímpicos.

Grupos de defesa do Tibet consideraram o ato uma legitimação da atitude do governo chinês em relação ao Tibet. O líder liberal-democrata Nick Clegg classificou a participação do premiê de completamente inapropriada.

- Claro que existe política nisso e certamente não pode apagar o fato de que direitos humanos estão sendo sistematicamente violados em uma escala extraordinária na China - afirmou Clegg.

O diretor do comitê organizador dos Jogos Olímpicos de 2012, Sebastian Coe, disse esperar que os protestos não se tornem o foco da passagem da tocha.

- É aceitável existir protestos pacíficos, mas espero que as pessoas reconheçam que é na verdade uma celebração do esporte e dos valores olímpicos - afirmou.

Valores olímpicos

A tocha, que está sendo repassada entre 80 atletas, artistas e autoridades a pé, de barco, ônibus e trem, está sendo protegida por um cordão de policiais. Durante várias vezes, eles tiveram de entrar em ação para mobilizar manifestantes que tentaram agarrar a tocha, como no episódio de Huq.

Em uma entrevista à BBC, a apresentadora disse que percebeu a presença de manifestantes na rua durante sua corrida, mas não esperava que um deles iria conseguir chegar à tocha.

- Eu sempre disse que participar da procissão não significa que eu perdôo a China, acrescentou Huq. Eu acredito nos valores e nos ideais dos Jogos Olímpicos... é lamentável que a China tenha um histórico tão terrível quando se fala em direitos humanos e que ela seja o país-sede (dos jogos).

Milhares de pessoas enfrentaram a neve em Londres para assistir à passagem da tocha pela cidade e grupos pró-China também saíram às ruas para mostrar seu apoio aos Jogos Olímpicos.

Paris

A passagem da tocha pela capital francesa Paris nesta segunda-feira também deve gerar protestos.

No sábado, o jornal francês Le Monde publicou uma reportagem citando que a ministra francesa dos Direitos Humanos, Rama Yade, teria imposto condições para que o presidente Nicolas Sarkozy compareça aos jogos.

A ministra, no entanto, negou que tenha imposto condições e disse ter sido citada erroneamente pelo diário francês.

Segundo o Le Monde, a ministra teria dito que Sarkozy só irá aos Jogos se a China puser fim à violência contra a população e libertar prisioneiros, esclarecer os eventos ocorridos no Tibet e abrir negociações com o Dalai Lama.

Ainda assim, analistas acreditam que com a passagem da tocha por Paris alguns membros do governo devem deixar claro sua intenção de não comparecer à cerminônia de abertura das Olimpíadas.

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