Rio de Janeiro, 14 de Fevereiro de 2026

Protestos no Chile terminam com 700 presos e 50 feridos

Quinta, 30 de Agosto de 2007 às 09:36, por: CdB

O dia nacional de protestos dos trabalhadores chilenos, o primeiro que a presidente Michelle Bachelet enfrentou desde que tomou posse, se estendeu até a madrugada desta quinta-feira com  670 detidos em todo país e 50 feridos.

A manifestação começou na última quarta-feira, com distúrbios nos arredores do centro de Santiago, e depois se transferiram para a periferia da cidade, onde houve barricadas e enfrentamentos com a polícia.

Os trabalhadores chilenos protestaram contra o modelo econômico e a desigualdade social no país, numa manifestação pela maior entidade sindical do país, a Central Unitária de Trabalhadores (CUT), dirigida por Arturo Martínez, socialista como Bachelet.

Martínez desafiou a presidente acusando-a de fazer mal as coisas e descumprir a promessa de diminuir a desigualdade social no Chile.

Segundo números do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), o Chile é o segundo pior país da América Latina em matéria de distribuição de renda, perdendo apenas para o Brasil. Os 10% mais ricos da população chilena ficam com 47% dos lucros, enquanto os 10% mais pobres têm apenas 1,2%.

Os conflitos se concentraram principalmente na Alameda Bernardo O'Higgins, principal avenida de Santiago, nas cercanias do palácio presidencial de La Moneda, onde a polícia usou a um carro com jatos d'água e a bombas de gás lacrimogêneo para dispersar a multidão.

Os manifestantes foram proibidos de se aproximar do local, mas por fim conseguiram interromper o trânsito na via, paralisando parcialmente as atividades no centro de Santiago.

A presidente Bachelet, que prosseguiu com suas atividades normais, afirmou que a democracia não precisa de desordem nem de violência, garantindo haver espaço na democracia para manifestações pacíficas.

- Na democracia e no meu governo, os trabalhadores sempre poderão demonstrar, pacificamente, suas demandas e exigir seus direitos - enfatizou a presidente socialista.

Participaram do protesto 18 sindicatos de todo o país, entre eles professores, servidores públicos e motoristas do transporte público, além de movimentos estudantis.

O protesto adotou como símbolo uma vaca, que está cansada de ser ordenhada em benefício de uns poucos.

No total, foram registrados 670 detidos, a maioria em Santiago, e uns 50 feridos, entre eles 33 policiais, sendo que dez se encontram em estado grave.

Entre os feridos também está um senador, o socialista Alejandro Navarro, e o poeta e Prêmio Nacional de Literatura, Raúl Zurita.

Para o governo foi uma "mobilização atípica, que não conseguiu alterar o funcionamento normal do país", afirmou o ministro do Interior, Belisario Velasco.

Os organizadores, em compensação, classificaram a manifestação como um grande triunfo dos trabalhadores chilenos, segundo palavras do presidente do Partido Comunista, Guillermo Teillier.

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