PSOE não conquistou maioria em nenhum dos 13 parlamentos regionais em disputa. Acampamento na praça Puertas del Sol, em Madri, continuará até o próximo domingo (29)
23/05/2011
da Redação
Nas eleições regionais realizadas na Espanha neste domingo (22), o Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE), do presidente José Luis Rodríguez Zapatero, saiu derrotado. O PSOE conquistou apenas 27,81% dos votos, ficando dez pontos atrás de seu opositor, o Partido Popular (PP), com 37,58%. Paralelo a disputa eleitoral, uma onda de manifestações por maior participação política da população chamada de 15-M ou Democracia Real Já espalhou-se pelo País
Mais de 34 milhões de espanhóis foram às urnas para eleger 8.116 prefeitos e cerca de 68.400 vereadores, além de 824 deputados dos parlamentos de 13 das 17 comunidades autônomas espanholas.
O PP, de centro-direita, obteve maioria de votos em 11 comunidades: Cantábria, Castilla y León, Castilla-La Mancha, Comunidade Valenciana, La Rioja, Madrid, Múrcia, as ilhas Baleares e as duas cidades autônomas, Ceuta e Melilla.
O PSOE, por sua vez, não conseguiu maioria em nenhum dos parlamentos em disputa, mas poderá governar Extremadura se firmar acordo com o partido Esquerda Unida e terá os governos de Aragão e das Ilhas Canárias se fechar acordos com outros partidos.
Para o PP, a vitória nas eleições regionais são uma prévia do que será alcançado nas eleições gerais, em 2012. “Os resultados registrados nos induzem a pensar que a vontade de mudança expressada nas urnas é palpável e tem que ser a antessala das gerais”, disse a secretária-geral do PP, María Dolores de Cospedal, em entrevista coletiva.
Zapatero reconheceu a derrota de seu partido e a atribuiu à profunda crise que afeta a Espanha há três anos. A taxa de desemprego no país supera os 21% e, entre menores de 25 anos, chega a 44%.
Mobilização
A grave crise econômica motivou milhares de espanhóis a saírem às ruas para protestar nos dias que antecederam as eleições. Desde o dia 15 de maio, cerca de 30 mil pessoas formaram um acampamento na praça Puertas del Sol, em Madri.
O movimento ficou conhecido como 15-M, em referência à sua data de início, ou Democracia Real Já e espalhou-se por outras cidades espanholas. De acordo com o diário os jornais locais foram realizados protestos em Barcelona, Valência, Málaga, Sevilha e Bilbau, além de outras localidades em 160 cidades espanholas.
Os espanhóis mantiveram a mobilização mesmo com ordem da Junta Eleitoral e do Supremo Tribunal que proíbe manifestações no dia que antecede as eleições, chamado dia da reflexão.
Após uma assembleia geral realizada após o término das eleições, os manifestantes decidiram permanecer acampados na praça Puerta del Sol até o próximo domingo (29). Eles pretendem estender a experiência vivida no acampamento a outros cidadãos.
O acampamento é formado, em sua maioria, por jovens que decidiram protestar contra a crise econômica e as políticas anti-sociais implementadas pelo governo. Os jovens também pedem emprego e melhores condições de vida. A taxa de desemprego na Espanha é a maior da União Europeia.
Além disso, os manifestantes exigem um sistema democrático mais justo e, para tanto, exortaram a população a não votar em nenhum dos dois principais partidos políticos do país, o PSOE e o PP.