Começou hoje em Genebra a conferencia contra o racismo num clima de tumulto e com discurso provocador do presidente iraniano contra Israel.
A conferência contra o racismo, Durban II, começou em meio a boicotes por parte de alguns países e, logo depois de sua abertura, o início do discurso do presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad, foi marcado por um misto de vaias e gritos de alguns presentes, abafados pelos aplausos de outros, enquanto um grupo colocava narizes vermelhos de palhaço provocando uma rápida intervenção dos policiais da Onu. Uma parte das delegações presentes se retirou da assembléia quando o presidente iraniano iniciou seus ataques a Israel e ao sionismo.
Muitos dos que aplaudiam o discurso de Ahmadinejad, em cujo país as mulheres suspeitas de adultério são mortas a pedradas e enforcados os homossexuais, entraram no Palácio das Nações com credenciais de falsas Ongs.
Diversas Ongs brasileiras estão presentes em Genebra, entre elas Coordenação Geral das associações quilombais, cujo dirigente Ronaldo dos Santos, estranhou o clima de confusão existente dentro do Palácio das Nações em Genebra, e informou que o Brasil não tomou nenhum decisão com relação à presença do presidente iraniano na abertura da conferência.
Está também em Genebra, a maranhense Edna Roland, que foi assessora da delegação brasileira na conferência Durban I.
Ivanir dos Santos, da Ong Babalaô, aproveitou para denunciar um novo tipo de perseguição religiosa no Brasil, que tem como alvo os terreiros de candomblé e os praticantes de cultos africanos, em atos provocados por neo-pentecostais. O Brasil, diz ele, é o único país que mantém o culto trazido pelos escravos e essa prática tem de ser defendida.