Pelo menos 61 pessoas morreram só nesta segunda-feira em Trípoli
21/02/2011
Da redação
O ministro da Justiça da Líbia, Mustafa Abdeljalil, apresentou nesta segunda-feira (21) sua demissão em protesto "à sangrenta situação" de seu país e pelo "uso excessivo da força" contra os manifestantes líbios. Segundo Abdeljalil, a decisão foi motivada pelo uso "excessivo da violência" por parte das forças da ordem.
A saída de Abdeljalil é a primeira de um alto funcionário do governo líbio desde o último dia 15, quando começaram os protestos contra o presidente do país, Muammar Gaddafi, o mais antigo líder em atividade na região, no poder desde 1969.
Nas últimas horas, os embaixadores da Líbia na Índia, na China e na Liga Árabe, que representa 22 nações, também deixaram os cargos por discordar da maneira como o governo tem reagido às manifestantes. O representante permanente da Líbia na Liga Árabe, Abdel Moneim al-Honi, anunciou sua demissão para se unir à "revolução" e protestar contra violência usada em seu país.
Conflitos
Depois de tomar o controle de duas cidade a leste do país, Bayda e Benghazi, os protestos chegaram à capital, Trípoli, na noite de domingo (20). Houve enfrentamentos na Praça dos Mártires entre os manifestantes e as forças de segurança. Em Trípoli, a sede central do governo líbio e o prédio que abriga o Ministério da Justiça foram incendiados.
O pesquisador do Centro de Notícias da Líbia Ahmed Elgazir informou à Al Jazeera que as forças de segurança estão "massacrando" protestantes em Trípoli. De acordo com a rede Gatari, pelo menos 61 pessoas morreram só nesta segunda-feira na cidade.
Até o momento, de acordo com a ONG Human Rights Watch, ao menos 233 pessoas morreram desde o início dos protestos. Já a Federação Internacional das Ligas de Direitos Humanos divulgou que o número de óbitos oscila entre 300 e 400 pessoas.
"Guerra civil"
Em entrevista à TV estatal nesta segunda-feira, o filho de Gaddafi, Seif Al-Islam, negou o número de mortos divulgado pelas organizações e advertiu para o risco de uma "guerra civil" caso prossigam os protestos contra o governo do país.
Ele também comparou a situação da Líbia com revoltas que aconteceram neste ano no Egito e na Tunísia, que derrubaram os líderes do poder, mas afirmou que "a Líbia é diferente".
Al-Islam prometeu, ainda, que haverá uma conferência sobre reformas constitucionais no país nos próximos dois dias e a criação de uma comissão de investigação para apurar a violência nas ruas.
Venezuela?
Enquanto isso, especula-se uma possível saída de Muammar Gaddafi do país. O ministro das Relações Exteriores britânico, William Hague, afirmou nesta segunda-feira que o líder líbio pode ter abandonado seu país em direção a Venezuela.
"Não tenho informações que confirmem que ele esteja lá [Venezuela], mas obtive indícios de que está a caminho neste momento", declarou Hague ao final da reunião de ministros das Relações Exteriores em Bruxelas, na Bélgica.
As informações, no entanto, são negadas pelo governo venezuelano.
Mais sobre o assunto: Fórmula 1 cancela corrida do Bahrein, que iria abrir a temporada 2011