Milhares de paraguaios saíram às ruas da capital do país nesta quinta-feira em um protesto contra uma proposta do governo para privatizar as companhias de serviço público.
Camponeses, funcionários públicos e universitários gritando "não à privatização! Sim à soberania nacional!" marcharam até o Congresso enquanto parlamentares discutiam o projeto que pode abrir caminho para a venda de algumas das companhias estatais.
"Queremos dizer ao governo que não vamos permitir que o país seja roubado e saqueado", disse Adrian Vazquez, um líder do movimento.
A polícia observou cerca de 5 mil manifestantes, muitos deles com a bandeira paraguaia nas mãos, que interromperam o tráfego nas ruas do centro de Assunção, numa marcha pacífica.
Manifestantes em outros pontos do país ergueram pequenos bloqueios nas ruas.
No fim do dia, congressistas rejeitaram em votação unânime a proposta (66 votos a 0) enquanto os manifestantes aguardavam o resultado. O projeto rejeitado havia sido aprovado no início do ano pelo Senado que poderia ter revivido a possibilidade de privatização das estatais de telefonia, água e trens.
A proposta foi apresentada pela primeira vez pelo então presidente Luis Gonzalez Macchi, três anos atrás, mas foi suspensa mais tarde em meio a acusações de corrupção e passeatas nas ruas.
O Paraguai ficou para trás em relação a outros países sul-americanos que adotaram amplos planos de privatização nas últimas décadas.
O presidente Nicanor Duarte disse que está procurando formas de ampliar a recente expansão econômica do Paraguai. O país voltou a apresentar um modesto crescimento em 2003 depois de quatro anos de estagnação.