Rio de Janeiro, 13 de Maio de 2026

Protesto contra Miss Mundo deixa no mínimo 12 mortos

Pelo menos 12 pessoas moreram em violentos protestos na cidade de Kaduna, no centro-norte da Nigéria, contra o concurso Miss Mundo, que deve ser realizado em dezembro na capital do país, Abuja. Alguns relatos indicam que o número de mortos pode passar dos 50. Segundo os médicos, pode haver corpos sob os escombros.

Quinta, 21 de Novembro de 2002 às 21:32, por: CdB

Pelo menos 12 pessoas moreram em violentos protestos na cidade de Kaduna, no centro-norte da Nigéria, contra o concurso Miss Mundo, que deve ser realizado em dezembro na capital do país, Abuja. Alguns relatos indicam que o número de mortos pode passar dos 50. Segundo os médicos, pode haver corpos sob os escombros. A Cruz Vermelha informou que mais de 200 pessoas ficaram feridas. O governo da Nigéria decretou toque de recolher em Kaduna, que fica ao norte da capital. Ao longo do dia, jovens muçulmanos extremistas ergueram barricadas com pneus em chamas, incendiaram casas e atacaram várias igrejas cristãs no bairro de Tadun Wada. Medo O correspondente da BBC em Kaduna, Yusuf Sarki Muhammad, disse que pelo menos 5 mil jovens participaram dos protestos. O ativista de direitos humanos Shehu Sani disse que a violência nas ruas fez com que escolas e o comércio na cidade permanecessem fechados nesta quinta-feira. "Ninguém quer sair de casa", disse. Tadun Wada é dividido em áreas cristãs e muçulmanas. O bairro foi palco de confrontos dois anos atrás, em que mais de 2 mil pessoas morreram. Os protestos contra o concurso de Miss Mundo começaram na quarta-feira, quando muçulmanos radicais incendiaram a sede de um jornal na cidade de Kaduna, no norte da Nigéria. O jornal havia publicado um artigo dizendo que o profeta Maomé teria se casado com a Miss Mundo se ainda estivesse vivo. Centenas de pessoas, gritando "Allahu Akbar" (Deus é grande), atacaram a sucursal do jornal This Day em Kaduna. Jornalistas afirmam que a região de Kaduna é considerada uma das mais instáveis da Nigéria, por causa das grandes populações cristãs e muçulmanas. Há dois anos, mais de 2 mil pessoas morreram em confrontos entre as duas comunidades na cidade, e o conflito só foi interrompido depois da intervenção do Exército. Revolta A mais recente agitação começou depois que o jornal publicou uma notícia no sábado, dizendo que até o profeta Maomé se casaria com uma das concorrentes. Os bombeiros apagaram o fogo no This Day, mas de acordo com o correspondente da BBC em Kaduna, Yusuf Sarki, a situação continua "caótica". Os escombros estão por toda a parte, junto aos restos de móveis quebrados e pedaços de jornal queimados, e o escritório da sucursal está sendo vigiado pela polícia. Ninguém ficou ferido, mas a equipe de jornalistas continua escondida com medo de novos ataques. Sarki disse que as mesquitas locais têm articulado ações contra o jornal desde terça-feira. Segundo o jornalista, as primeiras pessoas foram avisadas da notícia por mensagens em seus celulares. O jornal voltou atrás sobre a notícia e publicou um pedido de desculpas por dois dias seguidos. Testemunhas contaram à agência de notícias Reuters que os revoltosos prometeram atacar os escritórios do This Day em toda a região norte do país. Apedrejamento O concurso Miss Mundo vem acontecendo na Nigéria há várias semanas, mas apenas no sul, que tem maioria cristã e animista. Grupos muçulmanos dizem que o concurso é contra a religião islâmica. O evento também foi ameaçado de boicote pelas próprias concorrentes, que protestavam contra a decisão de um tribunal que condenou Amina Lawal, uma mulher acusada por adultério, à morte por apedrejamento. O governo da Nigéria interveio, e garantiu que nenhuma nigeriana será apedrejada.

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