Rio de Janeiro, 05 de Agosto de 2026

Protesto contra juros cobrados pelos bancos chega à internet

Segunda, 09 de Junho de 2003 às 12:07, por: CdB

A internet também está sendo usada para elevar a pressão pela queda dos juros bancários, uma bandeira adotada por membros do governo nos últimos dias. Um e-mail circula nas caixas de correio eletrônico com um alerta para as taxas cobradas pelo sistema financeiro, especialmente sobre o cheque especial. Em abril, conforme os últimos dados do Banco Central, os bancos impuseram juros de 178,5% ao ano para quem usasse o limite do cheque. Portanto, se um correntista usar R$ 100 do limite do cheque especial, ao final de um ano terá uma dívida de R$ 278,50. Para o crédito pessoal, os juros cobrados pelos bancos chegam a 102% ao ano. O pedido de R$ 100 de empréstimos geraria uma dívida de R$ 202 uma ano depois. Em contrapartida, a poupança continua rendendo, em média, menos de 1% ao mês e a aplicação em fundos de renda fixa, em geral, gera ganho anual inferior aos 26,5% ao ano, definidos como taxa básica de juros pelo BC. "Vamos protestar, passando para frente via internet, a contestação dessa situação insustentável de desequilíbrio econômico, pois nunca é tarde", informa o e-mail apócrifo. A argumentação da mensagem vai ao encontro das declarações do governo de que o principal problema da baixa procura de créditos deve-se às taxas cobradas pelos bancos, não aos juros básicos da economia. O ministro do Planejamento, Guido Mantega, por exemplo, chegou a dizer, na semana passada, que os juros bancários são "um assalto à mão armada". O vice-presidente José Alencar disse que a cobrança dos bancos é um "despropósito". O presidente Luiz Inácio Lula da Silva cobrou dos críticos que, ao invés de prestarem atenção na Selic, critiquem as taxas dos bancos. As reclamações dos internautas, entretanto, ainda não chegaram à taxa básica de juros, um dos referenciais para que os bancos definam suas taxas. No Congresso Nacional, senadores e deputados fazem pressão pela queda da Selic na próxima reunião do Copom (Comitê de Política Monetária do BC). O líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM), cobra a queda de pelo menos 1,5 ponto percentual na próxima reunião. No governo, Alencar lidera o movimento de pressão e cobra uma cruzada na sociedade pela redução da taxa. O resultado dessas várias manifestações em prol de juros baixos poderá ter resultado no próximo dia 18, segundo dia da reunião do Copom, e ainda neste mês, caso o governo anuncie, junto à Caixa e ao Banco do Brasil, medidas para conter as taxas bancárias.

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