Dois simuladores de tecidos biológicos criados por pesquisadores da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto da USP servirão para treinar médicos radiologistas e cirurgiões. Conhecidos como phantoms, os simuladores de mama e cérebro são utilizados no treinamento de diagnósticos e procedimentos cirúrgicos, podendo servir de apoio durante as cirurgias. O phantom de mama é produzido com um material gelatinoso que possui propriedades viscoelásticas e acústicas semelhantes ao tecido biológico. – O formato é semelhante ao de uma mama humana –, descreve o professor Antonio Adilton de Oliveira Carneiro, do Departamento de Física e Matemática da FFCLRP, responsável pelo projeto. – Em seu interior, existem inclusões que imitam tecidos normais e anormais (nódulos e cistos, por exemplo) em imagens de ultrassom, permitindo simular o diagnóstico de lesões benignas e malignas. Uma das funções do simulador é o treinamento da realização de biopsias de mama. – O radiologista pode apurar sua habilidade no procedimento, que exige o trabalho das duas mãos de forma independente, para operar o transdutor de ultrassom e a agulha que irá remover o fragmento de tecido para exame –, conta o professor. – Hoje, esse tipo de treinamento costuma ser feito com tecidos de animais. O phantom também simula a identificação de nódulos por toque na mama. O protótipo passou por testes no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto e o material utilizado encontra-se em fase de registro de patente. – Como ele possui grande durabilidade, o phantom pode ser guardado e reutilizado por tempo indeterminado –, aponta Oliveira. O simulador do cérebro imita o interior da cabeça humana e está segmentado pela região do cérebro, do cerebelo e do tálamo. – Durante uma cirurgia cerebral, o médico se guia por imagens de ressonância magnética do paciente, feitas antes do procedimento, para chegar ao local da lesão –, afirma o professor. – As imagens de ressonância magnética e ultrassom das regiões segmentadas do phantom apresentam características equivalentes às do cérebro humano, segmenta as partes internas de modo similar às imagens de ressonância magnética e ultrassom –, acrescenta. Na realização de cirurgias, o phantom do cérebro pode ser empregado para treinar o cirurgião e calibrar o sistema de neuronavegação, que será utilizado durante o procedimento. Um outro sistema, em desenvolvimento pelos pesquisadores, aproveita a produção de imagens de ultrassom durante a cirurgia para colocá-las no mesmo plano da ressonância magnética. – Isso facilita a obtenção da posição e local exatos em que será feita a incisão cirúrgica no cérebro –, diz o professor. Atualmente, o protótipo simulador cerebral possui durabilidade em torno de três meses, por se tratar de um material biodegradável, devido ao desgaste do material sintético para simular a ressonância magnética.
Próteses treinam médicos para lidar com mama e cérebro
Dois simuladores de tecidos biológicos criados por pesquisadores da USP servirão para treinar médicos radiologistas e cirurgiões. Conhecidos como phantoms, os simuladores de mama e cérebro são utilizados no treinamento de diagnósticos e procedimentos cirúrgicos, podendo servir de apoio durante as cirurgias.
Sexta, 24 de Setembro de 2010 às 10:27, por: CdB