Por causa do desmatamento, cada vez mais espécies animais perdem seu habitat natural no Cáucaso. Em áreas protegidas em toda a região, ambientalistas com ajuda internacional tentam frear este avanço.
Cinco milhões e meio de hectares em 250 regiões: este é hoje o tamanho da área protegida em todo o Cáucaso, graças a diferentes iniciativas ambientais com apoio internacional. Também o governo alemão financiou vários projetos de reflorestamento na região.
Já havia reflorestamento nos tempos da União Soviética, mas, na época, só eram plantados pinheiros – uma verdadeira monocultura. Para os ambientalistas da organização World Wide Fund for Nature (WWF), ecologicamente só faz sentido uma mistura de amieiros, freixos e tílias, entre outros tipos de árvores, para que um número suficiente de espécies sobreviva à avançada alteração climática.
Seria necessário mudar a mentalidade. Frank Mörschel, especialista em florestas da WWF, participa de projetos de sua organização.
– Nós tentamos trazer novas ideias e dar às pessoas novas culturas e novos instrumentos –, conta. Como um todo, se trata de um "intercâmbio de experiências".
Novas perspectivas para a população
No entanto, nem sempre é fácil fazer com que a população local colabore na proteção à floresta. Em algumas regiões da Geórgia, quase 30% das pessoas vivem abaixo da linha da pobreza. Para quem precisa sobreviver, lenha para o aquecimento e pasto para o gado são mais importantes do que a proteção do meio ambiente, explica Nugzar Zazanashvili, chefe do departamento de proteção à natureza do escritório da WWF no Cáucaso.
– A comunicação com a população local é difícil. Quando falamos de 'seu país', 'seus interesses', 'seu futuro', as pessoas não entendem que não estamos falando só deles, mas de todos nós –, diz Zazanashvili.
De acordo com sua experiência, é só lentamente que os habitantes das áreas afetadas percebem a importância da proteção do clima para o seu futuro.
Mas os projetos de proteção também podem ter efeito imediato. Alguns dos habitantes locais encontraram emprego no âmbito dos projetos e ganham dinheiro plantando árvores ou vigiando as cercas que impedem o avanço do gado.
No entanto, também se trata de gerar perspectivas de longo prazo. Os responsáveis pelos projetos querem ajudá-los a comercializar produtos regionais como queijo, carne e mel – desde que sejam produzidos de forma ecológica, com o gado sendo criado apenas nas áreas indicadas, por exemplo. Os moradores da região também devem ter direito a lenha produzida sustentavelmente, já que no inverno as temperaturas ficam abaixo de 20ºC negativos.
Desde que o primeiro projeto de reflorestamento foi concluído, a WWF tem se preocupado em implementar mais projetos além das fronteiras. O Cáucaso se estende por uma área de 500 mil quilômetros quadrados em seis países: Geórgia, Azerbaijão, Armênia e partes da Rússia, da Turquia e do Irã.
Para os especialistas em florestas, o maior desafio são os constantes distúrbios na região. Existem mais de 40 etnias no Cáucaso. Mas Nugzar Zazanashvili mostra confiança.
– Esta é uma região montanhosa, tensões e guerras são uma constante aqui. Mas sempre houve também uma espécie de 'identidade caucasiana' e 'fair play'.
Isto quer dizer que, mesmo que os povos da região não consigam encontrar uma diretriz política comum, "nós nos esforçamos em conjunto para proteger o meio ambiente e a natureza", analisou o ambientalista.
Para a WWF, o principal objetivo da cooperação além das fronteiras é ligar as áreas protegidas através dos chamados 'corredores verdes', criar redes para o desenvolvimento ecológico e social da região e, finalmente, oferecer habitat natural suficiente para que espécies ameaçadas de extinção, como o leopardo, possam viver.
Tags:
Relacionados
Edições digital e impressa
Utilizamos cookies e outras tecnologias. Ao continuar navegando você concorda com nossa política de privacidade.