A prostituição infantil está usando crianças cada vez mais novas na Ásia, principalmente no Camboja, denunciou na segunda-feira um grupo de defesa dos direitos humanos.
Um dos fatores para o fenômeno é o medo da Aids, que faz os homens acreditarem que as crianças não são portadoras da doença, disse o grupo.
"Há vítimas entre 2 e 6 anos de idade, tanto meninas como meninos", disse à Reuters numa entrevista Yoichi Clark Shimatsu, assessor do grupo Global-Protect All Children.
Ele descreveu o Camboja como uma "fronteira aberta" para a prostituição infantil na Ásia. Turistas sexuais do mundo inteiro são levados para lá.
Agências assistenciais estimam que haja cerca de 35 mil pessoas trabalhando na indústria do sexo no país, sendo que um terço delas tem menos de 18 anos.
As leis do Camboja são imprecisas e vagas no que diz respeito à proteção de crianças do abuso sexual e, apesar dos milhares de turistas sexuais que chegam ao país todos os anos, o número de prisões é muito pequeno, disse o grupo.
O país tem uma cultura profundamente patriarcal e machista. As famílias se dispõem a fazer sacrifícios em nome do primogênito.
Em algumas regiões, cidades inteiras estão envolvidas no comércio sexual. Os pais chegam a ansiar por entregar as filhas e os filhos mais jovens à prostituição para que o primogênito obtenha educação de qualidade, afirmou Shimatsu.
O Global-PAC foi criado em 1999 e lançou uma campanha para impedir a exploração sexual de crianças por estrangeiros. Também tenta construir refúgios para proteger as crianças cambojanas, além de conscientizar os pais para que protejam seus filhos. Mas o problema está se espalhando para outros países pobres da região, como Mianmar, de acordo com o grupo.
O advento da Internet tornou o combate à pornografia infantil ainda mais difícil. Imagens feitas no Camboja podem chegar a um consumidor na Europa em questão de horas, sem a necessidade de haver escritórios montados, por exemplo.