Rio de Janeiro, 05 de Outubro de 2026

Prossegue impasse entre trabalhadores e empresas petroleiras

Terça, 26 de Julho de 2011 às 12:40, por: CdB

No departamento colombiano de Meta, município de Puerto Gaitán, petroleiros da Cepcolsa Petróleo, uma subsidiária da empresa espanhola Cepsa, estão mobilizados há mais de um mês por condições dignas de trabalho. Também os trabalhadores da transnacional canadense Pacific Rubiales entraram em greve, no dia 18 deste mês, em Campo Rubiales, considerada atualmente a região petroleira mais importante do país. Os dois conflitos envolvem cerca de 4 mil petroleiros e estão ainda sem solução.

No último dia 21, em uma tentativa de consenso, uma comissão da União Sindical Obreira (USO) se reuniu com representantes da Cepcolsa e autoridades colombianas na sala da Vice-Presidência da República para debater o pré-acordo discutido em Puerto Gaitán, na madrugada do dia 19.

A transnacional se comprometeu a não exercer retaliação contra grevistas e sindicato, em âmbito penal ou civil, e não descontar do salário os dias parados.

A USO aproveitou para fazer críticas à Cepcolsa, pois, na negociação do dia 19, os trabalhadores estavam prestes a firmar o acordo, mas a empresa exigiu que os petroleiros de Campos Rubiales (mobilização independente), terminassem a paralisação.

Além disso, a empresa tentou impor que o acordo só tivesse vigência caso o sindicato se retirasse da área petroleira, informou o presidente nacional da USO, Rodolfo Vecino. Ele caracterizou a atitude como tentativa de limitação da liberdade de associação dos trabalhadores e ponderou que o afastamento do sindicato dificultará o controle sobre o acordo firmado.

No dia 19, ficou acertada a definição de uma lista de trabalhadores para que a empresa faça licitação e contratação por terceirizadas. Também decidiu-se que haverá um diálogo social no município, no próximo dia 3, com a presença de autoridades, sindicalistas e petroleiras, para definir agenda social em prol das comunidades.

Devido ao fracasso do acordo, na manhã do dia 19, indignados com a postura da Cepcolsa, trabalhadores se manifestaram e entraram em confronto com a polícia, o que deixou 16 feridos, 11 policiais retidos pelos grevistas, três caminhonetes incendiadas.

Mais repressão

Ontem (25), dois caminhões da Pacific Rubiales bloquearam a rodovia que leva a Puerto Gaitán, como forma de evitar que sindicalistas fossem panfletar entre os trabalhadores nos campos de Rubiales e Quifa. Além de impedir o livre exercício sindical, funcionários do setor de segurança da empresa fizeram ameaças de morte a quem tentasse remover os veículos da via.

A Polícia chegou ao local cinco horas depois do início do bloqueio, apesar do efetivo de 500 homens do Esquadrão Antidistúrbios da Polícia e de mil soldados do Exército presentes no município devido aos confrontos entre empresa e trabalhadores.

Violações

Os trabalhadores denunciam graves violações, como jornada de trabalho de 18 horas, 40 dias de trabalho ininterruptos, não pagamento de salários aos trabalhadores em período de teste, condições insalubres dos alojamentos, diferença de salários para pessoas de outras regiões e trabalhadores com mais de tres meses de emprego que ainda não foram incluídos na segurança social.

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