Rio de Janeiro, 04 de Setembro de 2026

Prorrogadas prisões de traficantes de órgãos

Segunda, 08 de Dezembro de 2003 às 08:38, por: CdB

As 10 pessoas que ainda continuam presas acusadas de envolvimento num esquema de tráfico internacional de órgãos, divulgado na semana passada pela Superintendência da Polícia Federal (PF) em Pernambuco, devem continuar detidas pelo menos até terça-feira.

As prisões temporárias de cinco dias expedidas na última terça-feira pela Juíza da 13° Vara Federal, Amanda Torres, expirariam às 0h desta segunda-feira. No entanto, informações extra-oficiais dão conta de que os mandados de prisão foram renovados por mais cinco dias.

Por meio da Assessoria de Imprensa da Justiça Federal, a juíza Amanda Torres mandou dizer que nenhuma informação do caso será fornecida pela instituição, uma vez que as investigações correm em segredo de justiça. O mesmo procedimento foi utilizado pelo superintendente da PF, o delegado Wilson Salles Damázio. "Não posso falar mais nada sobre esse assunto", limitou-se a dizer.

Apenas um dos 11 presos pela Operação Bisturi foi liberado na madrugada do último sábado. O representante de vendas da área de saúde Celso Jarbas Calumby, 62 anos, estava detido no Centro de Triagem e Observação Criminológica Professor Everardo Luna (Cotel), em Abreu e Lima, desde a última terça-feira, por suspeita de integrar a rede criminosa. Um alvará de soltura garantiu a liberdade de Celso.

Após sair da unidade, o representante resolveu passar o final de semana longe do Recife, com a família. "Ele está muito abatido, afinal não é fácil enfrentar uma situação dessas quando se é inocente", comentou um dos advogados da vítima, Luís Filipe Paganelli. Segundo o advogado, não havia provas que incriminassem seu cliente. "Não sabemos como a polícia chegou ao nome de Celso, mas já está provado que ele não tem nenhuma participação no crime", disse.

Ainda de acordo com Luís Filipe, o representante foi questionado se tinha conhecimento da existência de unidades de saúde que realizassem transplante de órgãos no Estado e o nome de médicos nefrologistas. "Ele respondeu que sim porque tinha conhecimento do assunto. Desse jeito, teriam que mandar prender as pessoas que fazem a lista telefônica, que sabem informações sobre nossos endereços e telefones", ironizou o advogado.

Paganelli disse ainda que, apesar de abatido, Celso está feliz por voltar à convivência da família. "Por enquanto, ele prefere estar com os filhos", finalizou. Até o fechamento desta edição, a advogada Terezinha Medeiros, também acusada do crime, continuava detida na sede da PF. A previsão era de que ela fosse transferida para a Colônia Penal Feminina do Recife (antigo Bom Pastor), ainda no final de semana. A diretora da colônia penal feminina, Ana Moura, informou que nenhuma das três mulheres presas pela Operação Bisturi deram entrada na unidade prisional. Elas continuam no setor de custódia da Superintendência da PF, no Cais do Apolo, Recife.

Também no sábado passado, uma equipe da PF esteve no apartamento (nos Aflitos) e na clínica (na Boa Vista) do médico José Silvio Boudoux, que está sendo investigado pela PF por ter examinado cinco pessoas encaminhadas pela capitão da reserva da PM, Ivan Bonifácio da Silva, apontado como um dos líderes da quadrilha que aliciava pobres para vender o rim e realizar o transplante na cidade de Durban, na África do Sul. Os policiais federais recolheram computadores, agendas e contas de telefone.

Amanhã, o advogado Emerson Leônidas deve entrar com um pedido de habeas corpus em favor de uma da advogada Terezinha Medeiros. Se a justiça conceder o requerimento do advogado, o benefício poderá ser estendido aos seus outros clientes: os israelenses Gady Tamber Gedalya e Eliezer Ramon, e a corretora de imóveis Fernanda Calado. Está prevista para esta semana a chegada ao Recife do adido policial da embaixada da África do Sul, Fernando de Pinho.

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