Fenaban propõe 0,56% de aumento real e nega melhorias em demais cláusulas econômicas e sociais. Categoria fará assembleias pelo país na noite de segunda-feira
Por: Leticia Cruz, Rede Brasil Atual
Publicado em 23/09/2011, 18:55
Última atualização às 18:55
TweetSão Paulo - Fracassou a nova rodada de negociações entre o Comando Nacional dos Bancários e a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban), na tarde desta sexta-feira (23) em São Paulo. O setor patronal propôs reajuste de 8% sobre os salários. A oferta foi avaliada insuficiente pela categoria. Com isso, a expectativa é de greve nacional a partir de terça-feira (27).
A proposta dos banqueiros também não atendea nenhuma das outras reivindicações dos trabalhadores: aumento da PLR e a valorização do piso salarial. Os negociadores da Fenaban também não apresentaram qualquer proposta para as reivindicações de emprego e melhores condições de trabalho. Segundo o Comando dos Bancários, os 8% representam aumento real de 0,56% – diferença de apenas 0,19 ponto percentual em relação à proposta anterior. Os bancários reivindicam aumento de 12,8% (5% de ganho real mais a inflação).
Sem avanços nas negociações, estão mantidas as assembleias que serão realizadas às 19h da segunda-feira (26) em todo o Brasil para organizar a greve por tempo indeterminado, a partir do dia seguinte.
“Além de apresentarem proposta insuficiente para o índice, não trouxeram nada para a valorização do piso, para melhorar a PLR e as condições de trabalho, principalmente no que se refere ao fim das metas abusivas e a garantia de emprego, questões fundamentais para os bancários”, protestou a presidenta do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região, Juvandia Moreira.
“Contamos com todos os bancários na assembleia de segunda-feira, na Quadra (do sindicato da categoria), para organizarmos a paralisação ainda mais forte que a do ano passado. Ficou claro que só assim os banqueiros vão entender a insatisfação da categoria. Os trabalhadores sabem que somente muita mobilização pode mudar esse quadro”, completou a presidenta do sindicato.
O presidente da Contraf-CUT e coordenador do Comando Nacional, Carlos Cordeiro, lamentou que os bancos insistam em esgotar todas as vias de entendimento, sem valorizar os trabalhadores do setor. "Desde o início apostamos no processo de negociação, mas agora vamos intensificar a mobilização da categoria em todo o país para realizar uma greve forte, a fim de arrancar dos bancos uma proposta decente", avisa.
No primeiro semestre deste ano, segundo o sindicalista, os bancos lucram mais de R$ 27 bilhões.