A nova proposta do governo federal para o setor de telecomunicações provocou o primeiro racha no mercado. A operadora de telefonia fixa GVT - empresa espelho que atua na área da Brasil Telecom e na Grande São Paulo - anunciou nesta segunda-feira o seu desligamento da Abrafix (associação das operadoras fixas). Além das concessionárias de telefonia fixa local (Telefônica, Telemar e Brasil Telecom, a CTBC Telecom e a Sercomtel), também fazem parte da associação a Embratel, a Intelig, e a Vésper. Segundo a GVT, a gota d'água para o rompimento foi uma peça publicitária assinada pela Abrafix contra a nova proposta de política para o setor, divulgada pelo Ministério das Comunicações. A proposta trata da renovação, a partir de 2006, dos contratos assinados na época do leilão da Telebrás, por mais 20 anos. A GVT -assim como a Embratel e a Intelig - apóia as mudança propostas pelo governo, que afetam empresas como Telemar, Telefônica e Brasil Telecom, que são contra. O objetivo do governo seria acabar com o monopólio dessas três empresas, o que beneficiaria as espelhos e novas entrantes. - O texto pretende representar todos os associados da Abrafix, inclusive a GVT, que não foi consultada sobre o teor da mensagem e não concorda com a mesma - diz a empresa. Na avaliação da GVT, as novas políticas propostas pelo governo "incentivam a competição sem mudar regras" e sem contrariar a Lei Geral das Telecomunicações. Segundo a GVT, a Abrafix "desviou-se do seu objetivo de defender igualmente todos os seus associados". Três grandes empresas do setor - a Telefônica, a Telemar e a Brasil Telecom - criticaram a minuta do decreto com a nova política para o setor de telecomunicações. A Telemar considerou que o Ministério das Comunicações estaria extrapolando o que seria competência do Executivo. A Brasil Telecom alegou que qualquer mudança na forma de reajuste das tarifas seria interpretada pelo mercado como uma quebra de contrato. Já a Telefônica considerou o decreto "ilegal por usurpar (apossar indevidamente) competências do Legislativo, alterar normas da Lei Geral de Telecomunicações e invadir competências da Anatel quanto a regulação dos serviços".
Proposta do governo provoca racha entre operadoras de telefonia
Segunda, 02 de Junho de 2003 às 12:21, por: CdB