Os familiares dos políticos seqüestrados pelas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) ficaram entusiasmados com uma mensagem do grupo guerrilheiro, divulgada nesta segunda-feira, manifestando interesse em negociar com o governo um acordo humanitário. "Esperamos que esse anúncio se transforme em algo concreto, não seja apenas um comunicado", disse Fabíola Perdomo, integrante da Assembléia pela Vida, organização que busca a liberação dos 12 deputados da região de Valle do Cauca, seqüestrados pela guerrilha há um ano. Na mensagem, disponível na página dos rebeldes na internet, as Farc se dispõem a nomear um grupo de negociadores imediatamente depois de que o governo se comprometa a aceitar algumas reivindicações feitas pelos rebeldes há dois meses. Os guerrilheiros querem que sejam desmilitarizados os Estados de Putumayo e Caquetá, onde eles propõem que fossem realizadas as negociações - sem que, assim, eles corressem o risco de ser assassinados por militares ou paramilitares. Troca A guerilha já propôs em outras ocasiões a troca de quase 70 pessoas seqüestradas por mais de 400 guerrilheiros, que se encontram em várias penitenciárias do país. Nesse acordo, a guerrilha estaria disposta a deixar em liberdade cerca de 50 policiais e militares que estão em seu poder (alguns deles há quase cinco anos), os deputados do Valle do Cauca, dois ex-ministros, o governador do Estado da Antióquia, o ex-governador do Estado de Meta e a ex-candidata presidencial Ingrid Betancourt. Há dois meses, a guerrilha capturou três americanos e afirmou que eles também entrariam na lista dos "negociáveis". "As Farc ratificam sua disposição política para iniciar o quanto antes as negociações e assinar uma troca ou acordo humanitário que acabe com o longo cativeiro das pessoas que se encontram em poder das duas partes", diz o documento assinado por Manuel Marulanda, principal líder do grupo rebelde. Juan Carlos Lecompte, marido de Ingrid Betancourt, seqüestrada pelas Farc há 14 meses, disse estar otimista com a intenção da guerrilha em negociar com o governo do presidente Álvaro Uribe. "Esse informe me deixa esperançoso", afirmou. "Esse pode ser um grande passo para que o acordo humanitário se torne realidade". Conversações Por outro lado, o vice-presidente Francisco Santos disse que governo está disposto a fazer um acordo desde a posse de Uribe, em 7 de agosto do ano passado. De acordo com ele, são as Farc que se negam a manifestar com atos concretos a decisão de libertar os seqüestrados. "O problema é que a guerrilha diz uma coisa em público e outra bem diferente em privado", assinalou o vice-presidente. "Se eles realmente querem negociar, precisam parar de seqüestrar e acabar com os atos terroristas." Antes do comunicado ser divulgado pela guerrilha, o presidente Uribe avisou que os militares não abandonariam nenhuma região da Colômbia. "Eu não tiro o Exército de nenhum milímetro do território nacional", disse ele no último domingo. Dessa maneira, o presidente deixou claro que seu governo apoiaria a realização de conversações de paz em diferentes regiões do país, desde que a presença da força pública fosse mantida. A comunicação assinada por Marulanda foi feita cinco dias depois dos familiares dos politicos seqüestrados enviarem uma carta ao governo e às Farc, solicitando uma negociação direta pela assinatura de um acordo em curto prazo. Na avaliação de León Valencia, analista político e ex-guerrilheiro, essa mensagem das Farc pode marcar uma aproximação entre as duas partes. Já o monsenhor Luis Augustro Castro, um dos integrantes da comissão facilitadora criada pelo governo para buscar um acordo humanitário com as Farc, disse que não vê nenhuma novidade nesse novo comunicado dos rebeldes.
Proposta das Farc acalma parentes de seqüestrados
Terça, 15 de Abril de 2003 às 05:36, por: CdB