Passistas desinibidas tendem a despertar a libido de alguns turistas no Carnaval, mas as autoridades cariocas querem coibir esse ardor lembrando que nem todas as formas de sexo são consideradas legais na cidade. Preocupados com a criminalidade que cerca a prostituição e com a imagem do Rio como um importante destino do turismo sexual, promotores cariocas estão lançando uma campanha contra a exploração sexual e o uso de menores no comércio do sexo.
A medida, que envolve a repressão policial a cafetões e bordéis, e também uma campanha de conscientização, coincide com o Carnaval, que começa no dia 20. Um de seus focos é o turismo.
- O turismo sexual não é bom para a cidade - disse Ana Lúcia Melo, promotora de uma unidade especial do Ministério Público que combate o mercado do sexo e a prostituição infantil.
Jovens usando camisetas com a frase "Exploração sexual é crime" vão distribuir panfletos a turistas pela cidade explicando que manter relações com menores de 14 anos pode render até dez anos de cadeia.
A lei brasileira não prevê a prostituição como crime, mas pune com um a cinco anos de prisão as pessoas que exploram essa atividade. Manter um bordel também é considerado crime. Melo disse que a polícia ficará especialmente atenta ao centro do Rio e às praias de Copacabana e Barra da Tijuca (zona sul), notórios pontos de prostituição.
- Esta operação não termina com o Carnaval. Ela vai continuar, com o objetivo de reduzir a prostituição e punir quem ganha dinheiro em cima de situações miseráveis que levam muitas mulheres a vender seus corpos - disse Melo.
Uma representante especial da ONU disse em novembro que o problema da prostituição infantil e da exploração sexual no Brasil é pior do que na maioria dos outros países, por causa de uma sobreposição de pobreza, criminalidade e turismo. Organizações não-governamentais estimam que haja entre 100 mil e 500 mil crianças prostituídas no Brasil.