Rio de Janeiro, 25 de Março de 2026

Promotor vê relação entre chacina na Baixada e morte de PM

Quarta, 11 de Outubro de 2006 às 18:36, por: CdB

O promotor Marcelo Muniz, responsável pelo inquérito da chacina da Baixada em que 29 pessoas morreram em março de 2005, disse que "se for provado que a morte do cabo Simão tem relação com a chacina, este fato demonstra que o Ministério Público está no caminho certo de investigação".

O cabo Gilmar Simão estava acompanhado do subtenente da Polícia Militar Francisco Jorge Ferreira Gomes, lotado no 3º BPM (Méier), que foi baleado na perna. Minutos antes, o cabo tinha prestado depoimento numa delegacia da Polícia Militar Judiciária sobre a chacina de Nova Iguaçu e Queimados.

Gilmar não estava no serviço de proteção à testemunha, pois o programa não permite o ingresso de réus. E, segundo o promotor Marcelo Muniz, "apesar de ele ter prestado um depoimento que facilitou nossa investigação, Simão não era testemunha, era acusado".

A Secretaria de Segurança informou que desde a chacina da Baixada foi oferecida proteção policial para as pessoas que se sentissem ameaçadas. A Secretaria afirmou também que essa proteção policial, ou escolta, tem que ser requisitada formalmente por um ofício à própria Secretaria ou à delegacia da região.

Mais de 15 disparos atingiram o cabo Gilmar da Silva Simão, de 35 anos, que foi executado na terça-feira dentro de um carro numa esquina movimentada em Vila Valqueire, na Zona Oeste. Testemunhas do crime, na terça-feira, contaram que os assassinos estavam num carro de cor prata. O cabo tentava o benefício da delação premiada, cooperando com as investigações em troca da redução da pena.

Segundo a delegada Adriana Belém, da 41ª DP (Tanque), "pelas circunstâncias, foi uma execução. Tudo leva a crer que o crime tem a ver com a chacina da Baixada".

Absolvido da acusação de participar do massacre, o cabo respondia pela acusação de formação de quadrilha. Quatro PMs ainda vão ser julgados pela chacina. Um soldado foi condenado, por unanimidade, a 543 anos de prisão.

De acordo com a delegada Adriana Belém, o depoimento do policial militar Francisco Jorge Ferreira Gomes não aconteceu nesta quarta-feira. De acordo com a delegada, Francisco Jorge alegou não ter condições físicas para comparecer à delegacia, pois o ferimento da perna, decorrente do tiro que impossibilita sua locomoção.

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