O promotor de Justiça Gianfilippo Piannezzola disse nesta quarta-feira que a falta de documentos para complementar a investigação das vítimas fatais do confronto entre policiais e traficantes no Complexo do Alemão, zona norte do Rio de Janeiro, dificulta
o encaminhamento do processo. Ele foi à Delegacia da Penha, responsável pela área, para analisar o inquérito.
Segundo o promotor, uma das inconsistências é falta de laudos de perícia feitos no local do crime.
— As seis mortes que vieram numa Kombi, por exemplo, não se sabe exatamente nem onde ocorreram os óbitos. Eles podem ter sido mortos até após o confronto em brigas com traficantes —, disse.
Ele afirmou ainda que nenhuma testemunha foi ouvida.
O promotor criticou que as mortes estejam sendo investigadas por três delegacias: de Repressão a Armas e Explosivos (Drae), a 22ª Delegacia de Polícia (Penha) e a de Roubo e Furtos de Cargas (DRFC).
— A apuração está fracionada, então tem que se manter o contato com todas as unidades policiais para se o obter os laudos —, contou.
O Ministério Público encaminhou, na última sexta-feira, ao Grupo Técnico da instituição 19 laudos cadavéricos para complementar a investigação e o resultado da perícia deve ficar pronto em cerca de um mês.
Mas segundo o promotor Gianfilippo Piannezzola, o documento não é suficiente para comprovar se houve execução.
— Um laudo sozinho não tem a força de dizer se houve ou não execução porque é um combate urbano —, disse Piannezzola.
Ainda esta semana, chegam ao Rio de Janeiro, peritos independentes enviados pelo governo federal para colaborar com o Ministério Público e a polícia na conclusão do inquérito.
Promotor diz que falta de provas pode atrasar inquérito sobre mortes no Alemão
Terça, 10 de Julho de 2007 às 17:07, por: CdB